Dia 12: Despedida em Burgos

O CAMINHO DE SANTIAGO DE COMPOSTELA

 Dia 12 : Cardenuela de Rio Pico / Rabes de Las Calzadas

 Amanheceu chovendo e muito frio. Eram 6h30 e a temperatura estava 11°, com uma chuva calma e fina. Tomei o café comunitário com todos os outros peregrinos e às 7h30 iniciamos a caminhada.

Primeiro trecho foi até Burgos em caminho regular e plano.

Durante todo esse percurso a Jodie esteve comigo, falamos bastante desde a noite anterior. Uma pessoa muito sensível e muito bacana. Ela estava trazendo com ela várias pedras, que representava a intenção de pessoas que pediram ajuda e a intercessão e a oração dela a Deus e a Santiago. Tive um apreço especial pela Jodie, Americana que vive em Washigton, e também teve uma história muito forte de superação na vida! Na noite anterior eu dei a ela um terçinho de mão de NSAP, e ela ficou emocionada e agradeceu muito, e também me deu um terço que ela trazia de muito tempo.

Do caminho de Cardunuela até Burgos falamos pouco porque ambos estávamos rezando: ela o terço, e eu caminhando e conversando muito com Deus… uma oração mais pessoal vamos dizer assim.

Quando chegamos em Burgos a chuva apertou bastante! Chovia muito e tivemos que atravessar a cidade inteira! É uma cidade grande de 160.000 habitantes e muito horizontal então gastamos pelo menos 1 hora e meia até chegar à Catedral.

É uma catedral magnífica, estilo gótico construída em 1100, uma das catedrais mais bonitas que conheci.

O Albergue municipal ficava ao lado da igreja. Havia ali também 1 bar que servia bocadilho, tortillas, café e suco. Nós paramos e comemos Uma tortilha e um café.

A Jodie Tinha planejado ficar em Burgos para conhecer melhor a cidade. E ali nos despedimos. Foi muito emocionante porque ela também teve um apreço grande por mim, me agradeceu muito pelas conversas, pelo apoio e troca de experiências! E disse que se precisasse de algo em Washington, poderia contar com ela! Nós nos abraçamos, com muita emoção, tiramos uma foto e eu segui o caminho.

Fiquei pensando como que é bom caminhar com alguém que tem os mesmos valores, se identifica com vc, que respeita seus sentimentos e tem uma boa conversa! Vou sentir saudades da Jodie, pois não sei se vou encontrá-la novamente no caminho. Mas assim é a vida! Vou leva-la no coração!

Mas como eu disse aos dias atrás o meu caminho pelo mundo sou eu quem traço sou eu quem faço. Fui à Catedral de Burgos, que uma catedral maravilhosa muito linda. Entrei apenas para visitar rapidamente e por sorte estava tendo uma missa na capela Sagrado Coração de Jesus, dentro da própria Catedral. Entrei e consegui assistir o final da missa e receber a benção do Peregrino!

Nessa hora chorei bastante, estava bem emocionado… fiz minhas orações e segui o caminho. Daqui pra diante caminhei sozinho (com Deus) e só foi caminhar, caminhar e caminhar mais 16 km até chegar ao destino que eu havia planejado, na cidade de Rabes de Lãs Calzadas!

Desde ontem comecei a fazer o meu próprio caminho, no sentido de escolher quantos km quero caminhar e quais cidades eu quero dormir. Tenho um guia de viagem agora apenas como referência, mas eu estou decidindo os próximos passos. Hoje caminhei 28 km! Porque Deus, a vida e o caminho já me deu régua e compasso!

Dia 11: Muita Saudades e emoção

O CAMINHO DE SANTIAGO DE COMPOSTELA

 Dia 11 : VillaFranca Montes Oca / Cardenuela de Rio Pico

 Hoje eu acordei com aquele sentimento “o que eu estou fazendo aqui? “. Não sabia direito expressar meu sentimento de vazio, de vontade de estar em casa, de ir embora, enfim, eu realmente pensava “o que eu estou fazendo aqui e porque que eu estou fazendo esse caminho?”. Fui tomar café encontrei minha amiga americana chamada Jodie, que estava sentada com dois italianos, me sentei a mesa com eles e logo disse “hoje estou com vontade de  chorar, não sei o que estou fazendo aqui“ eles deram risada e disseram que todos tem esses sentimentos.

Comecei a caminhada já muito emocionado. O caminho era muito bonito dentro de um bosque muito grande, no alto de uma montanha.

A certa altura do caminho comecei a rezar e cantar algumas músicas que naquele momento faziam todo sentido para mim. Lugares altos foi uma delas porque fazia todo sentido naquele momento o que eu estava sentindo.

Comecei a rezar o terço e logo o sol ficou mais forte e me fez sentir melhor! Incrível o poder da oração! Como a conexão com Deus te faz mais forte, mais pleno e te ajuda nos momentos onde você se sentir sozinho.

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Parei para tomar um café em San Juan de Ortega, estava caminhando num ritmo bem forte. O tempo ficou mais frio, E começou a chover naquele momento.

Lembrei muito da minha mãe… pensava muito nela e toda saudade que eu tenho… da vontade de ter ela perto da gente, de mim, da felicidade que seria dela brincar com Theo e com a Ísis, como seria ver essa cena.. ela brincando, curtindo, fazendo comida, fazendo dormir… Minha mãe era muito apegada aos filhos e aos netos;  ela iria curtir muito os meus filhos hoje. Sentir muitas saudades, chorei bastante e continue rezando.

Também veio ao meu coração os meus avós todos eles: a avó Lucia, o vô Francisco, o vô João e a avó NadDina e todos meus bisavós também, e também senti uma gratidão muito grande por todos eles!

Estava passando perto de um lugar com muitas pedras, uma subida difícil e veio a mim quanto esforço eles fizeram para que eu estivesse aqui. E também o esforço que a minha mãe e meu pai fizeram. Dona Maria Lúcia o Seu Gerulino trabalharam muito, e fizeram de tudo pra cuidar dos filhos e dar uma oportunidade de uma vida melhor…como eu sou grato a eles! Ao meu pai e a minha mãe, minha gratidão por tudo o que fizeram por mim, e que me trouxe até aqui. Eu os honro e agradeço de todo coração! Esse mesmo sentimento foi para os meus bisavó,s meus avós e todos meus antepassados!

 

Nesse momento eu passava por um lugar muito bonito pelo bosque e tinha alguns bancos e mesas todos vazios porque estava chovendo, e aí eu tive uma imaginação…, imaginei todos meus antepassados meus avós e meus bisavós sentados fazendo uma grande festa e a minha mãe também com aquele sorriso largo brincando com todos, e eles dizendo com olhares que significavam “vá, siga teu caminho, estamos orgulhosos de você”. Minha mãe sorria muito estava muito feliz ao me ver. Esta imaginação que me deu força pra subir mais um caminho difícil de pedras que inclusive está na foto.

Assim que subi no caminho de pedra, havia umas cercas de arame farpado que estava descrito “zona militar proibido a passagem”, era muito estranho o sentimento que eu tinha ao olhar para aquela área, me lembrava um cemitério, onde parecia que havia um monte de pequenas cruzes que na verdade eram flores de pequenos arbustos.

Por esse caminho também vieram sentimentos não tão bons e nesse momento eu deixei umas pedras que simbolizarão que tudo o que não foi bom, ou o que foi ruim no relacionamento com meus antepassados ficava para trás, e dali em diante eu só levaria aquilo que fosse bom, saudável e fizesse sentido na minha vida. Levaria tudo isso no meu coração.

Foi ficando mais frio porque já estava uma altitude de quase 1100 m e chovia uma chuva fina que aumentava ainda mais o frio e sentimento de saudades da minha mãe.

No alto desse monte havia uma cruz bem grande! Ao chegar próximo da Cruz recordei o caminho do Calvário de Jesus, o sentimento que veio foi que Jesus ressuscitou, ele não está na cruz, ele está vivo junto com nós. E a minha mãe está com ele, e se a minha mãe está com ele, ela está junto da gente! Está no meu coração, no meu sorriso, na minha forma de olhar e nos meus filhos também. Então ela está viva Dentro de mim, dentro dos meus filhos e dos meus irmãos, que trazemos todos a força dela e de todos os nossos avós e bisavós que trabalharam muito e que viveram para que nós vivêssemos hoje.,

Dali em diante a chuva continuou, mas senti uma leveza muito maior dentro do meu coração. E eu caminhar foi rápido cheguei ao meu destino mais rápido que eu imaginava. Quando temos a leveza no coração com nossas histórias passadas, conseguimos ser mais leves também! Seria mais planos, e curtir mais a vida e o Caminho.

Dia 10: Caminhar na Solidão

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 Dia 10 : Santo Domingo de La Calzada / VillaFranca Montes de Oca

Acordei era 5h50 e a noite de sono foi muito curta porque não consegui dormir. Se dormir 4 ou 5h foi muito! Quarto lotado e muito, mas muito ronco! Esse é a parte não romântica do caminho que poucos contam…, mas quando você está num grupo grande de pessoas dormindo no mesmo salão a probabilidade de ter muita gente roncando é grande! Mais uma vez a Natany me salvou! Valeu filhota, salvou minha noite! Coloquei novamente os fones de ouvido com músicas de chuva..ou melhor sons de chuva com tempestades para conseguir dormir rsrs! Quando fui escovar os dentes encontrei o americano (aquele que se machucou no início do caminho ) e ele disse “muito ruim essa noite, não consegui dormir, parecia que tinha 3 trens dentro do quarto“ e eu respondi que além dos trens, também tinha mais 2 tratores, 1 caminhão e 1 moto Harley Davidson, que acelerava de vez em quando, em baixo da minha cama!!rs  Demos risada porque não tinha o que fazer.

As 6h30 tomei café e logo depois já pus os pés na estrada! E hoje foi caminhar caminhar caminhar e caminhar. E quando cansava, continuava caminhando…

Passei pela cidade onde havia um albergue que Paulo Coelho havia ficado, inclusive tem uma foto dele nesse albergue.

Foram 35 km de caminhada solitária até chegar a Vila Franca de La Roca onde pretendia dormir.

Há 200 m antes de chegar, encontrei um riacho com águas muito frias, passei e não deu outro: tirei as botas entrei no rio pra relaxar os pés na água gelada. Missão comprida!

Dia 09: O caminho nunca é plano

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 Dia 09 : Najera / Santo Domingo de La Calzada

Acordei muito melhor hoje. As dores nos joelhos já não incomodam, quase não sinto nada. Acho que o banho de água fria ontem no rio Najera foi fundamental para melhorar as dores nos pés e no joelho.. Comecei usar duas joelheiras também, uma que ganhei de um peregrino no caminho, e a outra fui comprar na noite anterior juntamente com uma pomada de diclofenaco, caso voltasse a dores. Aproveitei também para dormir bastante, Já que estava num quarto só pra mim. Acordei as 7h e as 8h00 iniciei minha caminhada.

O caminho estava tranquilo logo na saída de Najera havia uma subida bem forte e depois o terreno começou a ficar um pouco mais plano, mas sempre subindo e descendo. Percebi que não há sempre um terreno plano mesmo que o caminho seja mais fácil sempre tem uma subida e uma descida forte.

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Havia tomado um café bem simples um suco de laranja e um croissant, mas estava me sentindo muito bem mesmo depois de 7 km caminhando que eu nem parei para tomar o reforço do café: passei direto pela cidade de Azofra, e segui meu caminho.

Encontrei com mais um casal de americanos, conversei um pouco com eles e logo me despedi. O ritmo estava muito bom não sentia cansaço e conseguia caminhar num ritmo forte.

Às 11h00 já estava na cidade de Ciruena.  Já havia andado cerca de 17 km. Resolvi não parar e segui caminhando forte. É muito bom caminhar sem sentir dores, os passos fluem, independente das condições do caminho, tudo fica prazeroso.

Depois de mais 4 km, encontrei um peregrino jovem, mas que estava andando com muita dificuldade, quase se arrastando. Parei e perguntei a ele se ele precisava de alguma ajuda, se estava tudo bem, se eu pudesse fazer algo por ele. Ele respondeu que só sentia muitas dores nas pernas porque havia caminhado muito forte nos últimos dias, e como tinha puxado bastante estava com muitas dores na musculatura! E que ele tinha que diminuir o ritmo para conseguir cumprir o caminho. Passei a frente e continuei caminhando mas depois de uns 20 m a frente desse peregrino, me veio uma vontade de voltar e não entendia porque, aí pensei que sempre quando perguntamos se uma pessoa está bem, na maioria das vezes ela responde que sim até por educação, para não incomodar. E não diz o que está precisando. Então fui em direção ao peregrino, abri minha mochila peguei o diclofenaco que eu tinha comprado no dia anterior e ofereci a ele dizendo que isso iria melhorar as dores dele! Ele aceitou e perguntou se de fato poderia ficar com o medicamento! Respondi que sim e que não me faria falta. O nome dele era Pablo, se eu entendi direito, e era de Chipre!

Despedi e segui adiante! Acho que o caminho é isso mesmo um dia você recebe, outro dia você passa para frente aquilo que recebeu, a solidariedade!

Cheguei em Santo Domingo à uma hora da tarde, com disposição pra caminhar mais!

Pensei em seguir adiante, e a próxima cidade seria 7 km distante e a outra 14 km. Liguei nos albergues dessas cidades, mas nenhum atendeu. E como são cidades pequenas resolvi não arriscar seguir adiante sem ter a reserva de um albergue. Porque caso alguma dessas duas cidades não tivesse albergue eu teria que andar cerca de 37km no dia.

Então resolvi ficar em Santo Domingo, no albergue chamado “Casa pela Confraria de um Santo”. Um albergue que existe desde 1106, ou seja, mais de 900 anos de história. Achei muito interessante! Logo na entrada a responsável contou a história do albergue e a história do milagre de Santo Domingo. Desta vez, sem regalias, vida de peregrino: lavar roupas, quarto com 26 camas, e banheiro coletivo…rsrs

Vou jantar cedo,  depois ir missa, e dormir que amanhã vou estar ansioso pra começar mais uma etapa. Um beijo!

Dia 08: Agua gelada nos pes e joelhos

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 Dia 08 : Logronho / Najera

 A noite sono não foi das melhores, um quarto muito grande com 18 pessoas…ou melhor 18 camas e umas 15 pessoas e o quarto havia muito ronco novamente de várias nacionalidades…rs

E como eu também acabei comendo muito tarde acho que estava cansado e não conseguia dormir. Precisaria ter relaxado um pouco mais. Percebo que dentro da rotina, após uma caminhada longa é importante ficar umas 2h00 pelo menos com os pés pra cima pra relaxar. E me recuperar. E ontem como acabei chegando um pouco mais tarde no albergue lotado, até lavar as roupas…, enfim acabou não tendo esse momento de relaxamento e reparação da musculatura. Tomei café às 6:30h e 7h00 já com pé na estrada.

Saindo a saudade já estava apertando e bem emocionado… mas de repente uma pessoa surgiu do meu lado, uma moça irlandesa chamada Tracy , estava um pouco perdida e pediu pra me acompanhar e vamos junto conversando por uns 4 km ela contando um pouco da vida dela, já saiu da faculdade e tem um filho de quatro anos e aí quer ingressar no mercado de trabalho.. a gente sempre troca experiência, e contei um pouco da minha vida pra ela, mas logo adiante, logo saindo de Logronho, eu parei para fazer uns vídeos e fotos e ela seguiu!

Vi um esquilo na árvore e lembrei muito do Theo! Quando vamos na praia, na casa que sempre alugamos, geralmente eu e o Theo vamos de manhã buscar pão! E no caminho passamos por uma parte de mata atlântica e sempre encontramos um tipo de esquilo, mas chamamos de macaquinhos na mata! Chamamos de floresta dos macacos, e a gente fica brincando será que tem Leão?  Nessa floresta! Será que tem gorila?  E quando vi o esquilo não deu outra, fui filmar e tirar fotos pra mostrar ele que aqui também tem florestas e esquilos! Também no caminho encontrei um pé de amora carregado, e lembrei muito dos filhotes: Theo adora subir no pé de amora pra apanha-las, e a pequena Isis adora come-las!

Segui meu caminho e olha quem que eu encontro: meu amigo da Nova Zelândia, o garoto Dayton, de 8 anos, com uma bicicleta! A avó dele resolveu abandonar o carrinho porque ele furou os dois pneus… ai ela comprou uma bicicleta pra ele! Olha que foto bacana!

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Eu estava num ritmo muito bom de caminhada e o trecho não é tão difícil. A próxima cidade chama Navarrete, que fica uns 13 km de Logrono. Mas quando estava chegando em Navarrete meu joelho direito começou a doer muito! Não entendi porque… mas de repente começou a doer, e começou a chover também. Na entrada de Navarrete tinha uma subida muito acentuada e foi bem difícil subir com joelho doendo.

Próximo à igreja parei para comer um bocadilho com suco de laranja. E naquele momento pensei que deveria ficar naquela cidade… Esperei um pouco a dor passar. No bar conheci um brasileiro chamado Gil que era de São Paulo, trocamos algumas palavras, e eu resolvi seguir em frente. A próxima cidade era um povoado chamado Ventana que ficava a 10 km de Navarrete, e passado uns 3 km meu joelho voltou a doer, parei um pouco, e de repente ouvi uma voz perguntando como é que estava meu joelho. Era o brasileiro que havia conhecido, e ele de bate pronto me ofereceu uma joelheira que ele tinha. É o espírito do caminho! A solidariedade! Aceitei a oferta e vesti a joelheira que de fato melhorou bastante a dor. Seguimos caminhando juntos. Ela é uma pessoa bastante interessante, empresário que trabalha há mais de 30 anos com óleos essenciais. Caminhamos juntos até Ventana, conversamos bastante sobre família, negócios, estilos de vida.

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Chegando em ventana tinha que tomar decisão: ou dormia por lá ou caminhava mas 11 km até Najera. Pensei um pouco…, comi uma tortilla, e decidi seguir adiante!

Já passava de meio dia, o sol estava forte, reduzi o ritmo e segui meu caminho. Mas daí surgiram dores no joelho esquerdo, no pé, nas costas, enfim parecia que todo corpo resolveu doer.

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Parei algumas vezes para tomar água, mas mantive um ritmo mais lento e constante. Foi bem difícil, uma superação. Consegui chegar em Najera as 3h00 da tarde, com dores no corpo todo, mas com um sentimento muito bom, de leveza espiritual e de missão cumprida.

Fui direto para o albergue, e não tinha mais disponibilidade camas, apenas 1 único apartamento individual. Era mais caro, mas a esta altura do campeonato era tudo que eu precisava. Uma suíte !!! Só pra mim!! rsrs Me senti um Rei rsrs!!!

Tomei uma ducha, deixei minhas roupas pra lavar e fui jantar. Fui perguntar para a responsável do albergue lugar bom para comer, e comentei das dores que tinha no joelho. Ela disse “o melhor anti inflamatório está a nossa frente, que é o rio com uma água muito gelada“. Não tive dúvida: segui o conselho dela, fui direto ao rio de Najera que passa em frente do albergue, e coloquei meus pés até o joelho na água do rio, água muito gelada que descia das montanhas e era muito transparente. Fiquei uns 15 minutos com os pés até o joelho nessa água gelada, chegava até a dar choque quando colocava o pé da pedra. Depois disso sai com a sensação de leveza nos pés, pois de fato o melhor anti inflamatório após um esforço físico e água bem gelada e gelo. E aqui no caminho água gelada e natural, vindo direto da natureza.

Jantei muito bem o menu do Peregrino voltei para o Albergue e tenho certeza que essa noite de sono será muito boa! Um beijo

Dia 07: Saudade apertando…

O CAMINHO DE SANTIAGO DE COMPOSTELA

Dia 07 : Los Arcos / Logronho

O dia começou com muito frio. Amanheceu estava 9°. Deixei Los Arcos com um sentimento muito bom, uma cidade pequena, o povo bem acolhedor e o albergue de muita receptividade! As pessoas realmente com espírito de acolhimento!

Comecei andando num ritmo bem forte, pois estava me sentindo muito bem. O tempo mais frio favorece uma caminhada mais forte.

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Mas se por um lado é fisicamente estava tudo OK, por outro a saudade começou a apertar a saudade da família…vi um casal de patinhos com vários filhotinhos e lembrei muito do Theo e nossas conversas.

No meio do caminho encontrei um casal que me chamou atenção! Parei pra conversar com eles tirei uma foto, eles eram americanos Jeff e Cathy e estavam celebrando 45 anos de casamento e também aposentadoria deles. Lembrei muito da Tânia pois sempre falamos que ainda vamos comemorar nossas bodas de 50 anos, se Deus quiser!

 

Passei adiante e mantive o ritmo forte porque eu precisava chegar até Viana até ao meio dia. Como eu disse na primeira na primeira etapa, a mochila que eu iniciei o caminho estava me incomodando bastante usei ela no primeiras três dias conversei com algumas pessoas fui numa loja para entender se as dores que estava sentindo, eram dores do caminho ou se a mochila estava inadequada para mim… De fato, percebi que a mochila não estava se ajustando corretamente nas minhas costas. Por isso eu comprei uma mochila nova que vestiu melhor! Eu agradeço ao Fernando Campos, meu amigo que me emprestou essa mochila. Na verdade ela tem uma história por que foi com ela que ele fez o caminho dele…. Mas aí eu percebi que mochila é parecida com escova de dente, é melhor que cada um tem a sua! rs

Nesse caminho também veio uma canção do Gilberto Gil que fez todo sentido pra mim… ” aquele abraço…Meu caminho pelo mundo… eu mesmo traço… o que a Vida já me deu.. réqua e compasso… quem sabe de mim sou… eu aquele abraço…pra você que me esqueceu…aquele abraço”(https://www.youtube.com/watch?v=zFGMLQ3q15c). A letra dessa canção tem tudo haver comigo nesse momento!

Cheguei em Viana em ao meio dia depois 22 quilômetros de caminhada. Fui ao correio despachei a mochila do meu amigo para o Brasil, e segui o meu caminho. Agora com a mochila nova.

Ficou mais quente e sempre os últimos quilômetros são os mais difíceis. Mas cheguei em Logrono as 15h cumprindo aí mais uma etapa do caminho, depois de 29 km. Um beijo

Dia 06: Vinho para seguir o caminho

O CAMINHO DE SANTIAGO DE COMPOSTELA

Dia 06 : Estella – Lizarra / Los Arcos

O dia começou um pouco mais tarde, acordei era umas 6h40 porque preferi dormir mais pra descansar. Sem hora para acordar. Os primeiros dias da caminhada sempre são mais fortes que a gente acaba carregando cansaço acumulado. Tomei café reforçado, e as 7h40 já estava com pé na estrada.

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A primeira parada foi 2 km após a saída, num lugar chamado frente pelo vinho. É um ponto de parada incrível porque há literalmente uma fonte com uma torneira de água e uma torneira de vinho, E os peregrinos podem tomar a vontade. Aproveitei para tomar um pouco de vinho e começar um dia de caminhada diferente.

Lembrei da minha pequena Ísis, porque quando tomei o primeiro gole de vinho fiz ahh!!! Que delícia. Ela faz sempre isso quando bebe alguma coisa, quem ensinou pra ela foi a Nathy.

Passei para um outro lugar onde são feitas pequenas lembranças do caminho são feitas como souvenirs. Pensei “se a Tânia tivesse aqui já iria querer comprar“. Só que no caminho se a gente for comprando tudo que vê é mais peso pra carregar então passei adiante!

A paisagem era muito bonita passar por bosques e caminhos de pedras e cascalhos bem pequenos. Comecei a rezar o terço pensando muito na minha vida profissional, e na empresa que recém trabalhei. Pela primeira vez coloquei algumas pedras no caminho! É comum você encontrar pedras amontoadas próximos ou sobre as marcas do caminho. É a tradição de quando você resolve algo interno você coloca uma pedra simbolizando aquilo que você resolveu dentro de você. Então pensei nas pessoas que trabalharam comigo nos últimos 14 anos, e para algumas eu deixei uma pedra no caminho representando que elas ficaram para trás. Engraçado sentimento que a gente tem, que é um sentimento de libertação que aquelas pessoas não te afetam mais, que aquilo que elas fizeram de mal ficou pelo caminho parado como uma pedra amontoado como tantas outras a margem do caminho. E a gente segue em frente. Confesso que deixei cerca que uma dúzia de pedras pelo caminho mas foi muito bom e libertador porque fazia isso rezando um terço e cantando algumas músicas da igreja.

Mas a frente caminhando num ritmo bem forte, mas saudável sem forçar, mais curtindo muito aquilo que estava vivendo. Foi quando me marcou bastante, a minha frente caminhava duas pessoas bem próximas, e quando me aproximei percebi que uma segurava no braço da outra que havia até como se fosse uma cordinha segurando no braço da outra… E aí percebi que uma delas era cega, e que o outro era o guia que estava ajudando ela fazer do caminho. Neste momento eu me emocionei bastante! Chorei ao ver aquela cena, o esforço e a fé daquele homem cego. Ao passar por ele eu disse buon camino. E ele respondeu bon camino Mi Hermano. Ao ouvir-lo chamar me de meu irmão chorei ainda mais. Pensei que esforço e ele está fazendo !!! E como eu posso reclamar do meu esforço. Para ele parecia muito tranquilo E ele ainda não estava vendo as belíssimas paisagens que quem tenha visão perfeita consegue ver!

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Fiquei bastante emocionado e pedia Deus que curasse da mim a cegueira da alma, porque temos tantas coisas boas na vida, e às vezes não conseguimos enxergar. Muitas vezes somos cegos da alma quando não conseguimos enxergar a beleza que temos em nossa vida a nossa saúde perfeita, o amor que temos, a nossa família, esposa, os filhos, os pais, os irmãos, sobrinhos, amigos, e também os bens materiais que conseguimos conquistar, independente se são grandes ou sejam eles pequenos. Quando agimos assim, e não enxergamos tudo o que somos e o que temos, é como estar na luz e fechar os olhos e ver na escuridão.

Pedia Deus que abra sempre os meus olhos, os olhos da alma para ver todas as belezas que ele me concedeu e me concede.

O caminho seguiu tranquilo, com sol ameno e paisagens de bosques e campos de trigo e cevada lado a lado.

No meio de um campo de trigo eu liguei para a Tânia que hoje está fazendo aniversário 42 anos, graças a Deus. Falei bastante com ela e com as crianças: a Isis, o Theo e Nathy, celebramos e cantamos juntos parabéns para Tânia minha esposa amada e querida. Que legal a tecnologia ajudou bastante hoje a gente passar juntos o aniversário da Tânia ela em casa com as crianças e eu no meio de um campo de trigo na Espanha. Parabéns meu amor! Amor da minha vida!

Cheguei em Los Arcos bem cedo. Ha uma hora da tarde já estava no albergue. Los arcos é uma cidade pequena de 1200 habitantes. Uma cidade medieval.

Há uma igreja, Santa Maria de Los Arcos muito, mas muito linda. Inclusive eu estou gravando essa nota nos jardins do claustro dessa igreja, uma igreja gótica bem bonita.

Agora temperatura começou a cair está chovendo bastante e daqui a pouco vou dormir porque amanhã tem mais um dia. Um beijo

 

Dia 05: Um Terço de presente…

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Dia 05 : Puente de la reina / Estella – Lizarra

Hoje o dia foi muito legal! Muito bacana! Sai cedo do albergue passei ao lado da ponte tirei mais uma foto, pois é um lugar muito tradicional, e segui o caminho. Mas logo começou a chover. Imediatamente coloquei a jaqueta e a calça de chuva e segui caminhando. Há uma certa altura do caminho tinha uma subida muito forte bem íngreme difícil. E tinha duas americanas caminhando lentamente, eram jovens mas percebi que estava com dificuldade para usar os bastões cajados. Passei por elas e uns 10 metros depois parei e voltei e perguntei se elas queriam ajuda… aí eu expliquei a elas como usar os estes os cajados, pois se você não usar eles direito, eles não te ajudam… mas pegando o jeito fica bem bacana. Se alguém me ensinou, eu deveria passar isso para frente…

 

Segui o caminho, parou de chover e a paisagem estava maravilhosa, muitas, mas muitas flores como é bom caminhada aqui na primavera porque além das flores de várias cores, o cheiro delas também te acompanha. Então o caminho de hoje foi marcado pelas flores!!

O trecho não é tão difícil passamos por várias pequenas cidades todas medievais e com certeza muita história em cada uma delas entrei numa igreja, rezei novamente e tinha uma Americana cantando uma música muito linda dentro da igreja.

 

Quase chegando em Estella havia um monastério muito antigo do século X que foi dedicado a São Miguel Arcanjo. Olha ele aí de novo! Nosso santo de devoção. Nosso anjo de proteção. Em Estella fui diretamente ao albergue dos cappuccino os segui meu ritual de tomar banho, lavar as roupas e jantar.

Para finalizar eu fui à missa, mas quando cheguei na igreja, eu fui informado que hoje não teria a missa das 7h00 por causa de uma celebração que os sacerdotes estavam fazendo. Mas a senhora que me deu essa notícia me entregou um livreto que explicava o significado da Eucaristia, escrito por ela mesmo após ser questionada por um amigo se ela iria à missa apenas para cumprir um preceito. Recomendou que eu lesse porque fez muito bem a ela, a busca do significado verdadeiro da Eucaristia. Eu a abracei, agradeci e fui rezar. Um minuto depois ela veio novamente, tocou nas minhas costas e me entregou um terço de presente. Quando olhei percebi que é idêntico ao primeiro terço que eu recebi de presente há mais de 20 anos atrás, após a minha primeira experiência de oração. É um terçinho simples mas que brilha no escuro. Esse terço no passado foi dado para mim pela irmã Ivani na com comunidade providência santíssima. Yuri muitas vezes com esse terço me trouxe revelações muito fortes experiências com Maria que lembro até hoje e marcaram a minha vida. Novamente recebo esse presente pelas mãos de uma outra pessoa. É Deus falando comigo.

Beijo

 

 

 

Dia 4: De Pamplona a Puente de la reina

O CAMINHO DE SANTIAGO DE COMPOSTELA

 Dia 04: Pamplona/ Puente de la reina

Como dormi com o fone de ouvido ouvindo músicas, acordei e tive a experiência mais incrível com uma música linda tocando, interpretada  por Simon e Gurdunkel: “Bridge over troubled water” ( link) chorei!! Fazia todo sentido! Que sensibilidade do casal Alemão! Eles preparam o café reforçado e na hora que fui me despedir mais uma forte emoção! A Ilona me abraçou e disse meu check-list: “pegou seu passaporte? Pegou sua carteira? Pegou capa de chuva? Sua credencial? Seus bastões?”; Respondi sim a cada pergunta. Ela me abraçou de novo e disse “então Buen Camino “

Não precisa dizer o que aconteceu… chorei. Lembrei da minha mãe! Eram perguntas de mãe! As que a minha fazia quando saía de casa!

E assim começou o dia, pensando quanto significava para mim aqueles momentos! E que a gente também deixa um pouco de nós com eles! Receber com carinho também deixa marcas, é uma troca! Deixamos um pouco de nós e levamos pouco dos outros no coração! Isso é solidariedade! Comunhão fraterna e verdadeira de vida!

Encontrei o padre da Romênia no caminho, cumprimentamos e segui! O caminho era maravilhoso com muitos campos de trigo!  Parei para comer numa cidadezinha pequena! Tinha uma igreja bem pequena, e fui rezar, pedir a Deus que me acompanhasse cuidasse da minha vida e da minha família!

 

Escutei 3 brasileiros dizer: “vamos embora, não podemos atrasar” e novamente tive a certeza que chegar não é importante, e sim caminhar e viver o caminho! Sem cobrar para cumprir uma meta, no prazo determinado! Porque o que eu estou buscando não está em Santiago, tenho certeza! Está no caminho!!

Nas pessoas, na natureza, no significado e sinais que vemos, nas igrejas, e no momento que estou vivendo!  Por isso que estou devagar, tirando fotos, rezando, conversando com a Tânia e com as crianças, chorando e vivendo… e é o que eu penso e é isso que eu quero!

Engraçado como é gostoso caminhar lentamente escutando o som da natureza que é Deus falando com a gente: escutar o Vento, os passarinhos cantando, grilos, enfim, uma paz interior muito grande. E percebi que desde quando sair de Saint Jean sempre tem um pássaro cantando próximo a mim como se tivesse me dando força! Um passarinho está cantando! Lembro que fiz um vídeo ao sair de SJPDP, numa subida forte um passarinho apareceu e começou a cantar como se  falasse “Força e fé” !! Deus vai nos falando !

Outro trecho marcante, é o autor do perdão, que é uma montanha que a gente sobe quando sai de Pamplona: peguei um vale lindo, com muito trigo e uma vegetação incrível e começa a subir em direção ao alto do perdão. Lá em cima tem um monumento super bacana em homenagem aos peregrinos.

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De lá de cima a gente consegue avistar de um lado Pamplona e um vale lindo…maravilhoso, um vento gostoso você fecha os olhos e senti a paz e a presença de Deus e do outro lado um outro vale que a gente tem que descer a caminho a Puente de La reina. Então é um momento bem marcante desse trajeto… parar para apreciar, tirar uma foto, tomar uma água, e respirar naquele breve momento.

Mais um fato interessante: Recordo que quando eu cheguei em Roncesvalles, após atravessar os Pirineus na primeira etapa, cheguei bem quebrado, dor nas pernas, dor no joelho nos pés no corpo todo! Me sentindo arrebentado. Um companheiro de albergue, um americano puxou conversa e disse que ele estava ótimo! Disse que ia fazer o Caminho em menos de 30 dias para encontrar sua esposa em Santiago e depois passar férias de 10 dias ! E ainda fez umas dez flexões no chão! Pense “tô ruim mesmo”!!! …. Agora estou chegando aqui em Puente de La reina  e encontrei o americano se arrastando, parecia um velhinho, faixas no joelhos, parei perguntei se estava tudo bem, se precisava de algo! Ele disse que estava bem! Mas acho que joelhos e bolhas estavam pegando! Deu dó! Todo vermelho e se arrastando…

É… O caminho realmente não é somente esforço físico.

Chegando em Puente de La Reina andei toda cidade; uma cidade medieval, ruas estreitas, igrejas muito antigas e as pessoas nos bares, tomando cerveja na calçada num ambiente bem descontraído. Atravessei a cidade cheguei na famosa ponte de la reina, a cidade tem o nome dessa ponte. E essa ponte foi construída por uma rainha espanhola, se não me engano a rainha Isabel…que fez em homenagem aos Peregrinos, porque, antes os peregrinos tinham que passar por dentro do rio e ela mandou construir a ponte pra facilitar a peregrinação,  uma ponte muito bonita que em dias ensolarados ela se reflete no rio e fica uma imagem magnífica como se fossem arcos, é muito bonita. Uma ponte muito antiga, ponte medieval e ta ai uma foto dela pra marcar meu caminho.

Depois de cruzar a ponte, vi uma placa indicando o albergue… mas era uma subida muito forte que depois e 23 km caminhando no sol quente… olha não foi fácil…. Mas o sacrifício valeu a pena pois quando cheguei no albergue, era muito bonito, como se fosse um camping. Com os galpões grandes e com muita estrutura, tanto é que cheguei e já tinha uma cerveja gelada a minha disposição!!! Não deu outra, tomei logo dois copos. Assim finalizei o meu dia celebrando mais uma etapa.

Um beijo

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Dia 03: Solidariedade, paz e muita beleza!

O CAMINHO DE SANTIAGO DE COMPOSTELA

 Dia 03: Zubiri / Pamplona

Hoje o caminho foi mais tranquilo. Sai de Zubiri bem cedo depois de tomar café com os amigos do albergue. Incrível como tem gente do mundo todo:Canada, Nova Zelândia, Portugal, Bélgica, Alemanha, Bulgária, Romênia, enfim pessoas do mundo todo. Impressionante como espírito do caminho faz com que todos sejam como uma família.

Hoje passamos por paisagens maravilhosas, campos de trigo, cachoeiras, campos de flores, enfim uma paisagem sensacional. Caminhamos sempre próximo ao rio que chegar até Pamplona.

Em dado momento numa subida lembrei de uma foto do curso de Consciência Sistêmica, do Fernando Freitas que usou a foto de um senhor de idade caminhando numa subida e com céu azul a sua frente e essa foto representava a vida, ou seja, o caminhar para vida. Hoje senti isso muito próximo de mim caminhando nessas paisagens pude ver claramente aquela imagem.

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Chegando num povoado próximo Pamplona fui uma igreja com um altar muito bonito com a santíssima Trindade Maria e no alto, a imagem de São Miguel Arcanjo. Entrei na igreja e fiz uma oração: a oração que eu faço com as crianças antes de dormir que é um Pai-Nosso, uma ave Maria, gloria ao Pai, Providência Santíssima e a oração de São Miguel ou seja, tudo o que estava no altar! Me emocionei porque lembrei da minha família, dos meus filhos, e isso me fez muito bem porque eu sai da igreja e andei num ritmo bem forte e tranquilo. Cheguei em Pamplona com muita disposição!

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Fiquei no alberque municipal onde tive uma experiência incrível de solidariedade: Esse albergue é público e custava 7 euros a pernoite e mais 3 de café da manhã. É cuidado por um casal de voluntários alemães, Roland e Ilona. Quando cheguei segui o ritual, banho e lavar as roupas. Como não tinha máquina, lavei na mão e pus para secar no varal! E tive que sair para ver uma mochila nova. Mas quando estava fora do albergue, começou a chover e eu fiquei desesperado porque ia molhar todas as roupas que eu tinha lavado e estavam praticamente secas. Ficava pensando “nossa e agora que eu vou fazer?” Minha cabeça começou a pensar no plano B… em como secar essas roupas no caminho, mas se chover, como lavar novamente etc. Mas quando cheguei no albergue a Ilona já tinha recolhido e guardado minhas roupas! E quando eu fui agradece-la, ela disse: você é peregrino e estou aqui pra te ajudar. Um casal abençoado !

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Sai para comer num restaurante perto da Plaza de touros de Pamplona! O jantar fui muito bom: carne e um feijão típico da região!

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Antes de dormir, conversei mais com os alemães e com um padre da Romênia! Falei sobre o movimento carismático no Brasil e o padre que se chama Marian, disse que conhecia e admirava!

E na hora de dormir, lembrei muito da Nathy, na verdade ela salvou minha noite de sono!!! Rsrs… O quarto era pequeno com 3 beliches, sendo que 3 caras roncavam e um especialmente parecia um trator esteira! Rsrs… Era ronco de todas nacionalidades rsrs! Aí lembrei do spotfy e que Nathy tinha feito uma seleção de músicas, e tinha sons de chuva para dormir! Foi uma benção! E rapidamente dormi relaxado ao som de chuva!!! Obrigado filhota!! Você está comigo no caminho!

Enfim um dia maravilhoso. Obrigado meu Deus por tantos sinais e tantas bençãos Um beijo Te amo