Dia 31: Sobre pais e filhos…

O CAMINHO DE SANTIAGO DE COMPOSTELA

Dia 31 : Arzua / Pedrouzos

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 O dia amanheceu chovendo muito. Às 6h00 estava uma chuva muito forte “uma tormenta“ como dizem os espanhóis. Resolvi ficar na cama descansar um pouco mais esperar. As 7h00 a chuva parou, levantei-me, tomei o café e comecei o Caminho.

Logo na saída encontrei um outro grupo muito grande de estudantes. Atras encontrei o professor e comecei a falar com ele, e ele me disse que eram 40 alunos de 16 a 18 anos que estavam fazendo o caminho. Os alunos 18 anos era uma viagem prêmio antes de ingressarem na faculdade. Conversei com ele a respeito da responsabilidade desse trabalho e a importância para essa geração da importância de fazer o caminho, ensinando-os a cuidar de si mesmos. Ele respondeu ” Luiz  Fernando você não acredita o que a gente viveu  nesses cinco dias. Essa geração sabe tão pouco porque os pais lhes dão tudo, e eles só recebem, recebem, recebem. Que há alguns absurdos como um que um dos alunos, veio procura porque não conseguia tirar a pasta de dente do tubo. E ele teve que explicar para o aluno que a pasta de dente nova, tem um selo de alumínio que vedava. Tinha que tirar o selo antes. Me disse você não acredita nas coisas que temos que ensinar para esses adolescentes. E disse ainda que no ano passado depois da primeira etapa de 20 km mais de 10 alunos quiseram desistir porque era muito esforço. É que nesse ano pelo menos isso não tinha acontecido. E disse que hoje na Espanha há um movimento forte para retornar a ensinar trabalhos manuais, contato com a natureza, e não com mundo virtual! Para essa geração é fundamental!


Mais adiante, todo o grupo parou num convento onde duas freiras iriam explicar o sentido espiritual do caminho, e também fazer uma oração e ensina-los a orar para iniciar o Caminho. Eles pararam e eu tirei essa foto.

Olha! Definitivamente temos que repensar a educação dos nossos filhos! Essa geração precisa de um cuidado diferente, o cuidado de ensina-las a  cuidar de si mesmas. Ontem quando fui lavar minhas roupas estava pensando sobre isso. No início do caminho eu chegava jogava três euros na máquina e colocava a roupa para lavar. Hoje já acho caro pagar três euros para lavar um par de meias, uma cueca, uma camisa, e uma bermuda. Mesmo que eu tenha caminhado 35 km e esteja muito cansado. Porque  15 minutos a mais de  esforço não vai fazer diferença. Além disso na máquina gasta energia e muito mais água. Lembrei-me muito da minha mãe dona Maria Lúcia, pois ao lavar as minhas roupas comecei a fazer como ela, as roupas mais limpas primeiro, enxagua e pendura, e aproveitar água com sabão para lavar as roupas mais sujas depois com isso gasta pouca água e aproveita o  sabão. Tudo isso eu sei porque tive uma mãe que ensinou e que vi ela fazer. Se não dermos exemplos para os nossos filhos como eles irão aprender? Essa pergunta que me faço!!
A Nega (apelido carinhoso da minha irmã, que também se chama Tânia) é um exemplo nesse quesito! Lembro quando o Enrico, perto de completar 18 anos, começou a “canta-la “ pra ganhar um carro! E ela respondeu: “Não vou tirar de vc a satisfação e o sentimento da conquista de comprar seu carro com seu próprio esforço “

E por falar em ensinar os filhos olha a família que encontrei no caminho vai com duas pequenos e a mãe com bebê de colo. Ensinando desde cedo a caminhar.

Ensinar a caminhar. É isso que temos que ensinar para os nossos filhos. Essa a lição que o caminho me deu!

Segui o caminho e como choveu muito na madrugada tinha muito barro e possas da água. Mas o tempo estava nublado, ora com chuvinha fina ora sem chuva. Passando por um povoado tinha 1 bar com monte de garrafas de cervejas na frente. Cerveja que chama peregrina tirei uma foto e segui passando adiante!

Mas pensei melhor e resolvi quebrar um paradigma. Vou pegar uma peregrina …rsrs!  Voltei entrei no bar e tomei uma cerveja comendo um bocadilho! Tomar uma cerveja às 9h30 da manhã com mais 10 km para andar rsrs.  Fazendo o caminho diferente!
Depois de tomar a cerveja, a gente podia escrever uma frase e deixar a garrafa pendurada ou em exposição. O que me veio ao coração foi simplesmente escrever a frase “viva a vida”! Escrevi e segui o meu caminho!


O tempo continuou chuvoso até a Pedrouzos (ou Pino). Cheguei cedo, fiz a rotina do lerere, e sai pra comer!

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A noite encontrei um padre brasileiro no albergue! Conversamos um pouco e trocamos experiências do caminho! A gente aprende com as experiências dos outros Também!
Começa um frio na barriga, e um sentimento diferente!
Estou a 20 km de Santiago!!!
Um beijo!!

Dia 30: Arzua

 

O CAMINHO DE SANTIAGO DE COMPOSTELA

 Dia 30 : Palas Del Rei / Arzua

 Acordei mais tarde hoje. Talvez pelo cansaço do dia anterior e também que estava apenas com duas pessoas no quarto e nenhum roncava rsrs…consegui dormir muito bem!

Comecei a caminhar às 7h30 da manhã a previsão era que houvesse chuva e tempo nublado durante o caminho. Mas logo às 9h00 o sol já mostrou sua cara e assim ficou durante todo dia.

Também quis fazer o caminho de forma diferente. Parei para almoçar. Pelo segundo dia consecutivo eu tenho parado para almoçar, e é bem legal porque na parte da tarde apesar do sol mais forte que aumenta dificuldade, estou com mais energia e mais disposição para caminhada. Ademais já não aguento mais comer um bocadilho, pão e Jamon todos os dias !!! rsrs

Parei para selar minha credencial em duas cidades Melide e Boente, aonde almocei. Agora já começo a preencher a segunda credencial. A minha primeira está completamente cheia olha foto.

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Em Melide fiquei um pouco na igreja fiz minhas orações e orei especialmente pelo meu irmão Ie e por  toda família dele Sheila, Cadu e a Maria especialmente. Pedi para que Deus cuidasse do momento que estão passando e que os protegesse consagrando sempre eles ao Senhor. Consagrando e pedindo a intercessão de Nossa senhora na direção do caminho deles, e também a proteção de São Miguel Arcanjo.

Seguir o caminho num bom ritmo de caminhada e mesmo com o sol quente! Caminhei mais de 30 km! E cheguei a Arzua!

Chegando no albergue , encontrei algumas pessoas que estavam comigo no albergue do dia anterior. Encontrei um professor, que está acompanhando 10 alunos adolescentes, de um colégio de valência. Encontrei com ele na lavanderia, enquanto eu estava lavando as minhas roupas, ele estava orientando outros dois meninos a lavar a suas roupas também. Eles estão fazendo caminho de Sarria até Santiago. Ele me disse que o objetivo era ensinar os alunos a cuidar de si mesmos, eles tem que lavar as suas roupas, fazer a própria comida, e caminhar 25 km por dia. E acrescentou que hoje em dia os pais estão acostumando mal seus filhos, dando tudo o que eles querem, mas se esquecendo de ensina-los a cuidar de si mesmos.

E no alberque que estou hoje, também tem um grupo de jovens mexicanos, ao redor de 25 entre 12/15 anos,  estão  fazendo o caminho junto com professor!

Mais tarde na missa, encontrei o grupo de jovens tanto mexicanos quantos espanhóis, também grupo de poloneses estava na missa, que foi com celebrada pelo padre por polonês. Eles são de Cracóvia, a cidade onde nasceu João Paulo II

Voltando para o albergue encontrei novamente os jovens mexicanos reunidos no saguão, junto estava um padre explicando para eles a espiritualidade do caminho, e suas histórias. Tirei uma foto pois a cena é muito bonita. Um beijo

Dia 29: O barco

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 Dia 29 : Ferreiros / Palas Del Rei

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 O dia amanheceu frio e com tempo nublado. Apesar de ainda não ter amanhecido percebia que as nuvens estavam meio que chove não chove. Mas não choveu o dia todo e ficou esse tempo nublado, bem preguiçoso. Falei com a Tânia que o dia era de ficar tomando vinho debaixo de um cobertor assistindo tv e comendo pipoca!!!

Eu estou adiantado no caminho, e com bastante tempo !! Minha previsão era dormir em alguma cidade entre PortoMarin e Palas del Rei.

Cheguei em PortoMarin  às 9h00, selei mais uma vez a minha credencial. Aliás agora minha credencial está totalmente cheia e já comecei outra. Comi um lanche e segui viagem meio que batendo pernas…


Caminhada estava bem tranquila, a mochila parece que ja gruda nas costas e já faz parte do meu corpo!  Ja não sinto como se tivesse carregando. Os pés graças a Deus sem nenhuma bolha caminhando suavemente, bem tranquilo. Os joelhos também sem nenhuma dor. E já não uso os Sticks. Eles ficam pendurados na mochila!
Ah! eu esqueci de dizer que já ando sem joelheiras a uns três dias. Eu esqueci de contar alguns  dias atrás. Quando estava no Cebreiro, encontrei um Frei brasileiro que esta fazendo o caminho, carregando uma imagem de nossa senhora. Nome dele é Frei Roberto, uma pessoa bem interessante e obviamente de muita fé. Encontrei com ele no albergue e, ele me disse que estava com muita dor nos dois joelhos e não estava conseguindo caminhar estava preocupado se iria conseguir dar sequência no caminho . Não tive dúvidas né, você já sabe o que aconteceu: fui imediatamente na minha mochila peguei as duas joelheiras que eu tinha  e entreguei a ele. Uma joelheira eu tinha ganhado no caminho logo no início, de um brasileiro. E a outra eu comprei. Entreguei a frei Roberto e também com pouco de diclofenaco que tinha Ele experimentou, percebeu que era melhor caminhar com elas e  me agradeceu.

São as coisas do caminho eu recebi e passei a frente a solidariedade, você recebe e fica com ela passar adiante. Eu não estava precisando de joalheiras! Então não devo carregar o que preciso!

Voltando ao texto de hoje segui o caminho e quando cheguei numa cidade 10 km depois de Porto Marin, parei pra comer um belo lanche. Falei com a Tânia que eu acho que eu estava carente hoje, porque foi pela primeira vez que eu comi um lanche no almoço, ou o melhor pela primeira vez eu almocei! Não sei se também era  fome. Só sei que eu comi um belo lanche e daí pra diante comecei a caminhar ainda com mais disposição!

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Deixei também algumas pedras no caminho por fatos e pessoas que me machucaram!
Mas também pedindo perdão para algumas pessoas também! Engraçado que a gente lembra de quem nos machucou! E se esquece que machucamos outras pessoas também! Hoje pedi perdão e deixei pedras para simbolizar essas pessoas que machuquei!
O caminho era mais tranquilo, o tempo mais nublado, que facilita também a caminhada e acabei esticando a caminhada chegando A palas Dell Rey, ou seja eu caminhei cerca de 37 km. O app diz 44 km! Mas não creio estar certo! Mais enfim caminhei bastante!
Fiquei no Albergue São Marcos, muito bom, segui a rotina, e depois fui a missa!


E aí uma surpresa! A missa estava lotada e foi concelebrada por um padre Polonês!
No final da missa, depois da bênção dos peregrinos, um grupo grande de pessoas começou a cantar numa língua que não reconheci! Mas a melodia, percebi que era a música “o barco”: ”Tu te abeiraste na praia…não buscares nem sábios nem ricos… somente queres que eu te siga! Senhor…, tu me olhastes nos olhos… A sorrir pronunciaste meu nome…Lá na praia eu larguei o meu barco, junto a ti buscarei outro mar… Tu sabes bens que em meu barco…, eu não tenho nem ouro nem espada, somente redes e meu trabalho… Senhor, tu me olhastes nos olhos… A sorrir pronunciaste meu nome… Lá na praia eu larguei o meu barco, junto a ti buscarei outro mar”
Percebendo a melodia, comecei a cantar a música em português! E
Incrível como a música nos une! Ao terminar, perguntei para uma moça de onde eram, ela disse de Cracóvia , Polônia, cidade onde nasceu o papa João Paulo II.
E eles estão fazendo o caminho também!
Que lindo! A música e o louvor a Deus é universal! Independente de língua!
Um beijo!

Dia 28: Bom dia comtemplativo

O CAMINHO DE SANTIAGO DE COMPOSTELA

 Dia 28 : Triacastela / Ferreiros

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 Acordei as 4h30 da manhã. E não consegui dormir mais. Acho que abusei do vinho na noite anterior e também do belo jantar que estive no restaurante jacobino. A comida era muito boa! Comi um caldo a galega, salmão na chapa e não resisti também a um prato combinado com bife, ovo frito e salada. Foi gula! Rsrs

Porque estava assistindo jogo e comendo, e praticamente tomei meia garrafa de vinho branco. Esse exagero me ajudou a levantar às 4h30 para tomar quase meio litro d’água. rsrs.

Todos ainda estavam dormindo, então comecei a orar o terço, em intensão a toda família de origem da minha mãe, toda família Hernandes. Eu havia sonhado com Joãozinho, um primo muito querido que se foi algum tempo. E no sonho eu chamava ele pra tomar uma cerveja, e ele respondeu que trocava cerveja pela igreja. Fiquei com o sonho na cabeça e orei o terço em intensão ao Joãozinho e toda família Hernandes.  E todas as situações confusas que se passaram durante todo esse período.

As 5h30 o relógio despertou eu já peguei as minhas coisas, sai do quarto, me arrumei e fui pra parte de baixo onde havia no albergue onde havia mais luz para checar os pés ver se tem alguma dor específica, colocar compeed, enfim preparação do caminho.

Encontrei com uma espanhola e conversamos um pouco. Ela me ofereceu um café, perguntei qual se opção dela pra chegar até Sarria.

Quando a gente chegar entre Castelo o caminho te da duas opções. A primeira delas e ir por Sam Xil que é um caminho entre bosques na montanha muito bonito semelhante ao caminho do dia anterior.

Nesse opção a distância teria  19 km. A outra opção e a ir por Samos, e  passar por um castelo, ou melhor um monastério do século VI, que foi reconstruído no século XII. Nele ainda monges beneditinos que recebem peregrinos. É um albergue que até hoje funciona a mais 1000 anos. Mas por este caminho, a gente caminha do lado da carreteiro (da pista), e o caminho até a Sarria é de 25 km, ou seja 6 km a mais.

Inicialmente a minha intenção era ir por Samos, mas essa espanhola me alertou que estava com muita neblina no dia de hoje e caminhar pela carreteiro com muita na neblina é perigoso, porque a visibilidade dos carros e nossa é muito pequeno. Estávamos saindo às 6h00 da manhã e ainda estava escuro. Pensei melhor e decidi ir pelo trecho que passar por Sam Xill, porque este trecho de bosque muito bonito e nesse momento mais seguro. Ademais com muita neblina e um pouco de chuva para passar por Samos não seria possível tirar boas fotos do monastério que seria o ponto alto desse trecho. Seguir o caminho e até as 9h00 ainda muita neblina pouca visibilidade ! Decisão acertada.

Segui o caminho até Sarria, e o tempo sempre com muita neblina. Determinado trecho abriu um pouco sol. Cheguei em Sarria, procure uma igreja para carimbar a credencial, porque a partir de Sarria é necessário ter pelo 2 selos na credencial.

Continuei o caminho seguindo muito tranquilo, caminhei sozinho praticamente todo tempo refletindo sobre tudo que está acontecendo no caminho e ainda o que Deus tem reservado até o final do caminho. Bom dia contemplativo. Um beijo!

Dia 27: Neblina e Flores

O CAMINHO DE SANTIAGO DE COMPOSTELA

 Dia 27 : O Cebreiro / Triacastela

 O dia amanheceu com muita neblina. Às 5h30 eu já estava acordado, mas resolvi ficar um pouco mais na cama, ainda inebriado por todas as emoções que senti no dia anterior. Dormi muito bem a noite.

Às 6h30 levantei preparei as minhas coisas, e às 7h00 iniciei a caminhada. A neblina era muito forte, e a visibilidade era pequena. Comecei a caminhada devagar porque o meu objetivo era “andar jogando as pernas“.

Comecei a cantar e logo veio uma canção que aprendi na primeira experiência de oração que fiz há 27 anos atrás. A canção é essa: “Deus habita no seu coração, Deus habita no meu coração que bom saber que Deus habita. Mas é no louvor que ele age, transformando nossos corações, mas é no louvor que a sua presença nos curar e nos traz amor, amor. Deus é amor! Deus é amor“

Essa canção é a confirmação do que Deus falou ontem na missa, através da leitura que eu li. Com esse sentimento segui cantando, louvando a Deus, e orando o terço em intensão ao amor.

O Caminho foi bem tranquilo apesar da descida ter sido grande. Sai de uma altitude de 1400 m e desci até 380 m dia altitude. Mas a descida não forçava tanto os joelhos.

Cheguei em Triacastela relativamente cedo, 12:15h. Poderia seguir adiante até Samos até Samos, Mas resolvi ficar por aqui

E a noite fui à missa, e a leitura do Evangelho foi muito propício. Falando sobre evangelizar, não jogar pérolas aos porcos. Ou seja, ter zelo, cuidado e delicadeza para falar de Deus para as pessoas que querem ouvir. E não dar atenção e compartilhar provocações, de pessoas que apenas querem gerar conflito através das provocações. Não querem falar de Deus! A resposta para essas pessoas que só querem provocar, é o silêncio.

A homilia do padre me chamou atenção também. Ele disse: “Que no caminho encontre o seus valores, e os coloque a serviço dos outros! Nos dias de hoje, evangelizar não é nada fácil. Mas é preciso coragem e persistência. Ultreya e Susea”! Um beijo

 

Cebreiro: o dia mais especial!!!

O CAMINHO DE SANTIAGO DE COMPOSTELA

Nota Especial: O Cebreiro

 Bom, estou fazendo uma nota parte porque esse dia foi o mais especial do caminho!!!

Quando sai de manhã estava em dúvida se ficaria em O Cebreiro ou seguiria em frente, uma vez que chegaria muito cedo, ao redor das 11h00.  A cabeça já começava a pensar, porque eu tinha enviado a mochila para o albergue em O Cebreiro. Então teria que fazer uma engenharia. Mas, durante o caminho resolvi e decidi seguir o coração, e tomar a decisão se ficaria ou não , no momento que eu chegasse no Cebreiro.
Cheguei e fui direto à igreja. E ali já senti no meu coração que eu deveria dormir no Cebreiro! A igreja simples de mais de 1000 anos que abrigava os peregrinos, com a imagem de Cristo crucificado numa cruz de madeira do séculos 12! A imagem de Maria real, protetora dos Peregrinos e a imagem de São Francisco de Assis, enfim uma paz inexplicável.


Fiquei um tempo na igreja, depois fui para o albergue, segue a rotina, e depois fui almoçar. O Cebreiro é um lugar realmente mágico e maravilhoso, fica no alto das montanhas, uma brisa sopra a todo momento como se Deus tivesse falando com a gente, a paisagem é maravilhosa, não sei se as fotos conseguem traduzir toda sua beleza.

Conversei com a Tânia e com as crianças no final da tarde e fui à missa. E lá chegando a grande surpresa que Deus tinha preparado para mim: fui convidado pelo padre franciscano, a fazer a primeira leitura. Ela foi feita em cinco idiomas e eu fui escolhido para fazer em português.

Não precisa usar palavras pra em descrever a emoção que eu senti, de estar fazendo leitura numa missa no Cebreiro, em uma igreja de mais de 1000 anos que foi fundada no ano de 860! Imagina quanta emoção ao saber quantos peregrinos passaram por essa igreja, e lá estava eu fazendo a oração da primeira leitura. E Deus falando novamente comigo a leitura da carta de São João que fala sobre o amor, que Deus é amor, que Deus está presente, Quando nós nos amamos uns aos outros. É inenarrável a emoção! Não homilia o padre ainda reforçou que o Caminho é a vida e a seta amarela significa o amor, essa é um grande aprendizado, a grande lição do caminho.

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Final da missa também fiz a leitura da bênção dos peregrinos em português uma emoção à parte. Recebemos uma pedra que simboliza a nossa vida e nela a seta amarela significa siga em direção ao amor.
Ultreya – olhe adiante, e siga o caminho!  Susea olhe para cima e conecte com Deus! e buen camino! Finalizou a missa!
Não há mais nada a dizer depois de tudo isso não preciso dizer quão emocionado chorando eu estou nesse momento.

Obrigado meu Deus por que falas comigo A todo momento, me convida sempre a seguir o teu caminho, o caminho do amor. E aí esse compromisso que eu tenho daqui para frente. Um beijo te amo!

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Dia 26: O trecho mais lindo do Caminho

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 Dia 26 : Trobadero / O Cebreiro

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Acordei bem cedo hoje novamente às 6h00 já estava no caminho. Essa etapa do caminho é muito linda! A gente caminha entre montanhas e é muito gostoso.

Caminhei uns 4 km parei pra tomar café num posto de parada de caminhoneiros. Comi um croissant recheado de presunto e queijo, feito na chapa que delícia e um suco de laranja natural. Apreciei a cada mordida, porque hoje a jornada é ir até o Cebreiro e voltar a subir a 1500 m de altitude.

Na sequência passei por uma cidade que havia uma pequena igreja que não resisti e logo entrei, fiz minhas orações do dia pedia Deus que me abençoasse no caminho que nossa senhora fosse nossa minha frente e a proteção sempre do meu anjo São Miguel.

Com as bençãos de Deus eu seguir o caminho muito bem, cantando e rezando, o dia amanheceu e por estar entre as montanhas só vemos a claridade e não só é como sentir as bençãos de Deus, sem precisar velo. Segui o caminho ouvindo o barulho do rio sempre calmo que desce pelas montanhas, e cheguei a cidade de Vega de ValCarse. Que cidade linda. Me senti tão bem ao passar pela cidade. Imagine uma cidade calma… é uma vila na verdade, mas o rio corre que é um córregozinho que vai margiando toda cidade e o barulho da água corrente se houve a todo momento. Em determinados lugares a cidade se divide entre as duas imagens desse riozinho e você pode atravessa-lo a pé.

Imagina no sol quente você colocar os pés nessa água tão cristalina. Que delícia…

Pensei muito na Tânia, imaginei que um dia faremos o Caminho certamente ficaremos nessa cidade, chegaremos mais cedo pra curtir uma tarde em Veja de valcarse, porque aqui compensa muito que delícia de vila de cidadezinha.

Muitas flores, montanhas, rios e matas. Os albergues também tem muita estrutura e aconchego.

Continue o Caminho ladeando o rio e escutando suas águas… meu Deus que delícia. É a melhor música para meus ouvidos, acho que hoje vou dormir com esse barulhinho no coração e na mente.

E o Caminho continua a nos surpreender… muito lindo todas cidadezinhas…passei por Las Herreiras e parei pra tomar um café.

Estou inebriado e maravilhado com esse trecho com essa paisagem. Passei pela árvore dos sonhos, olha que legal, que criatividade. Pessoal pegou uma árvore seca e pendurou ali seu sonhos escritos no papel. Olhem que lindo.

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Passando essa parte bem bucólica do caminho começa uma subida bem acentuada, mas a sua vida toda pela sombra porque estamos caminhando no meio da floresta. Dessa forma fica bem agradável e a gente não sente muito calor nem desgaste da subida. Em vários momentos parava tirava fotos e era bem prazeroso subir caminhando entre as árvores.

Cheguei em La Faba, um povoado bem legal que existe no meio do caminho, uma fonte de água natural e muito gelada. Abasteci nesta fonte e segui viagem. A paisagem é maravilhosa e não sei se as fotos irão conseguir traduzir a beleza dessa etapa do caminho

Estamos quase 1400 m de altura e a visão de mares de morros. Muito bonito muito próximo céu. Determinado momento já comecei a caminhar na província de Galicia, já estou há cerca de 150 km de Santiago.. uhuhu

Dia 25: Cheiro de cerejeira…

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 Dia 25 : Ponferrada / Trabadelo

   Tive uma excelente noite de sono e acordei as 4h30 achando que já era hora de caminhar. É incrível como a gente entra numa rotina que as 10h00 todos dormindo todos os dias entre 4h05 já estou acordado.

O albergue era muito bom, com muita estrutura, por isso deixei para organizar as minhas coisas logo pela manhã. Como minhas roupas não tinha um secado, deixei-as no varal fui pega-las bem cedinho. E organizado as coisas, às 6h15 já estava no caminho.

A saída de Ponferrada não tinha muita sinalização, por três vezes tive que parar para procurar a direção correta, como fizeram também outros peregrinos.

Caminhei tranquilo nos 10 km até chegar ao povoado de X e lá tomei o café da manhã. Foi o melhor bocadinho que eu já comi: pão fresco, Ramon crudo, queijo tomate com azeite de oliva com suco de laranja, e já voltei pro caminho num ritmo muito bom, leve e tranquilo.

Cheguei em Villafranca del Bierço às 11h45. Villafranca é uma cidade que surge do nada no meio das montanhas. Incrível que até 100 m da chegada da cidade não era possível avista-la!!! Mas a cidade muito bonita com castelo, igrejas, mesmo sendo pequena, havia pelo menos 4 igrejas bem imponentes.

O sol estava quente, mas apesar disso resolvi seguir do caminho e andar mais 9 km até Trabadelo. Depois de caminhar 5 km. Parei na cidade de Pereje pra comer mais um pouco, mais o suco de laranja, e pé na estrada de novo!

Nesse trecho a gente caminha entre as montanhas. É literalmente caminhar entre os morros de Leão ao lado de um rio, a paisagem é muito bonita apesar do caminho ser do lado da estrada de asfalto, e mesmo quando estamos andando no asfalto é só olhar dos lados e ver as matas, as montanhas e o barulho das águas dos rios que vai dando um alento a caminhada.

Duro é segurar a vontade de entrar no rio nesse calor quente ouvindo barulho das águas. No meio mata dá uma vontade louca de entrar nesse rio.

Durante o Caminho recebi um vídeo da Tânia, fez com Theo e a ísis brincando na cama. Nossa, tão encantador!!! Logo comecei a cantar a canção deles (https://youtu.be/vjA-82CVL4M)

Guiado pelo coração que a música do Theo e da Ísis diz, é o que eu quero! É justamente o que estou buscando agora nesse caminho: toda hora ser guiado pelo coração, pelo Espírito de Deus que opera sobre nós e não pela nossa mente que sempre mente pra gente… então tem tudo a ver a música deles com o Caminho que eu estou fazendo pois quem um dia meu coração pois quem nos guia é o coração.

Durante o trecho de Villafranca até Tradadelo, seguia-se o rio Valcarce .

E 1 km antes de chegar, havia homens pescando no rio, mas dentro do rio!!! Tive muita inveja deles porque depois de caminhar mais de 7h00 no sol quente imagina por os pés no rio e ficar pescando. Que delícia!!!

E na entrada de Trabadelo tinha uma pilha de madeira cerrada, com cheiro muito característico e familiar! Parecia cerejeira, lembrei do meu pai Gerulino… saudade do macho véio também! Quando eu era pequeno e ele chegava em chegava em casa do trabalho com esse cheiro na roupa, cheiro desta madeira! Ele trabalhava numa marcenaria e esse cheiro lembra minha infância quando recebia ele do trabalho! Certeza, é cerejeira mesmo!!! Um beijo saudade

Dia 24: Cruz de Ferro

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 Dia 24 : Foncebadon / Ponferrada 

Às 6h00 da manhã já estava pronto para sair. O café-da-manhã foi servido e encontrei com mais alguns amigos logo depois iniciar a caminhada. Avisei a todos que preferia caminhar sozinho por isso me distanciei e comecei a orar do terço.

O Amanhecer do dia foi lindo! Ver o nascer do sol caminhando, orando e carregando as emoções que tinham sido afloradas na noite anterior. Essa parte do caminho é de subida até chegar o seu ponto mais alto da cruz de ferro e cerca de 1500 m de altura.

Quando terminei de orar terço já avistei a Cruz de ferro uma imagem muito bonita. Esperava que era maior, mais imponente, mas não, na minha opinião monumento simples com uma cruz de ferro no alto que em baixo tinha uma monte de pedras que simbolizava alguns fatos, desejos, pessoas ou circunstâncias, enfim sentimentos de muitas pessoas depositados ali representados por pedras. Alguns colocavam terços, e outros sandálias. A sandália representa pessoas que não conseguiram concluir o Caminho até aquela etapa, por isso os amigos traziam a sandália para representa-lo.

Ela é muito emocionante, muitas pessoas choravam, outras não mas percebia-se um sentimento comum, que era o respeito, a introspecção de todo sentimento que se carregava e o que depositava na Cruz de ferro. E ver algumas pedras que simbolizava os sentimentos que tinha vindo a tona até então no caminho, especialmente no dia anterior. É incrível como surgem sentimentos ao caminhar, fatos e pessoas vão vindo em sua mente, que desencadeiam emoções e sentimentos na alma e coração.

Depositei as pedras e me emocionei também ao deixar ali sentimentos que não quero mais: Raiva, medo, tristeza, mágoa, ressentimento, ódio, onipotência… sentimentos que não fazem bem, pesam, não quero carregar porque só trazem peso a minha vida sentimentos que há muito tempo estavam escondidos, foram descongelados e colocados ali pra sempre para que não me acompanhe mais! Aproveitei que tinha um amigo também do Caminho pra tirar umas fotos do momento que eu depositava as pedras.

Feito esse ritual segui em frente! Me senti mais leve, mais grato, quantos sentimentos vinham na minha mente, no momento que coloquei as pedras na Cruz de ferro, Imaginava Jesus derramando seu sangue e deixando todos aqueles sentimentos ali. Como uma nova vida, uma nova fase que começa na minha vida.

Rezei mais uma vez o terço, cantei, chorei, me emocionei e assim fiz a descida de mais de 1000 m.

A Cruz de ferro fica 1500 m de altura, e Ponferrada aonde eu iria dormir estáva cerca de 380 m de altiude. A descida ainda bem íngreme, mas eu orei cantei e de fato me sentir mais leve, mais feliz e cheguei ao meu destino conforme planejado.

Também aprendi a cuidar melhor dos meus pés, e as bolhas praticamente foram curadas. Troquei de meia após 22 km de caminhada e sempre estou atento se houver alguma dor eu coloco compeed. Cheguei a Ponferrada e segui a rotina no albergue Guiana e logo sai pra conhecer a cidade.

Fui à Basílica e lá fiquei por um tempo rezando e agradecendo. Tinha uma imagem linda de nossa senhora e um altar dedicado a São Miguel e obviamente no alto, Jesus Cristo que sempre nos proteja.

Passei também pelo Castelo dos templários que é também uma construção muito bonita, impressionante e impactante.

Experimentei a culinária, um pulpo a galega, com uma salada mista com molho pesto e logo fui dormir. Um dia marcante. Um beijo.

Dia 23: Roupas e coração lavados…

O CAMINHO DE SANTIAGO DE COMPOSTELA

 Dia 23 : Astorga / Foncebadon

 Acordei as 5h30 e logo já coloquei o compeed nos pés, preparei minha mochila, e resolvi despacha-la nesse dia. Evitando carregar mais peso, menos pressão sobre a bolha.

O dia amanheceu muito lindo e pude tirar fotos da Catedral de Astorga ao amanhecer. Essa Catedral tem uma característica interessante, ela possui pedras de tons de cores distintos. Isso porque quando ela foi construída, a jazida de pedra inicialmente utilizada não foi suficiente para construir lá. Então buscaram outra jazida de pedra e que tinha uma cor diferente, parece um tom rosa muito bonito.

Essa é a última etapa em planície, depois já vamos iniciar a subida aos montes de lyon.

O Caminho foi bem tranquilo. De fato o compeed ajudou bastante! O caminho original seria parar em Rabanal do Caminho! Mas já tinha planejado andar mais 5 km até Foncebadon!

Esse último trecho já é em subida nos montes de Leon! A paisagem já muda bastante, já estamos a 1300 m de altitude, e dá para ver o Monte Telemo mais de perto, e neste monte que está a cerca de 2200 m de altura tem as Neves eternas são facilmente vistas!

A subida foi tranquila, e eu a subir devagar. No caminho alguns sentimentos bem antigos vieram a tona, pra ser sincero sentimentos de 40 anos atrás e que me acompanhavam até hoje. Senti com mais força e intensidade, que chorei, e deixei algumas pedras pelo caminho.

Cheguei em Foncebadon bem emocionado, fiz uma rotina diferente e primeiro fui tomar uma cerveja e assistir parte do jogo do Brasil pelo celular do dono do albergue, pois não tinha televisão.

E sentei a mesa com Adrianka, mais dois espanhóis Maria Eugênia e Ramon. Conversávamos, mas eu estava bem mexido, e quando chegou a filha do dono albergue de apenas três anos, comecei a chorar, foi incontrolável, e até o dono do albergue me dar um abraço. Quantas pessoas da mesa também chorava. Eu não sabia porque … se uma saudade muito forte e grande dos meus filhos, ou era conexão com a minha própria criança. E sentindo bem, agora apesar da saudade de casa, acho que é pela minha própria criança rsrs

Depois de um tempo, pedir licença, porque tinha que lavar minhas roupas. Foi quando espanhola me disse “Lave suas roupas agora pois o seu coração já está lavado”

Amanhã é uma etapa bem emocionante porque chegarei a Cruz de ferro local de muita emoção onde as pessoas deixam pedras simbolizando sentimentos, fatos pessoas, desejos, etc . Estou apenas a 1200 m da Cruz de ferro, e creio que já estou em contato com sentimentos, as minhas emoções do meu próprio propósito de leveza e cura interior. E está bem próximo. um beijo