O CAMINHO DE SANTIAGO DE COMPOSTELA
Dia 31 : Arzua / Pedrouzos

O dia amanheceu chovendo muito. Às 6h00 estava uma chuva muito forte “uma tormenta“ como dizem os espanhóis. Resolvi ficar na cama descansar um pouco mais esperar. As 7h00 a chuva parou, levantei-me, tomei o café e comecei o Caminho.
Logo na saída encontrei um outro grupo muito grande de estudantes. Atras encontrei o professor e comecei a falar com ele, e ele me disse que eram 40 alunos de 16 a 18 anos que estavam fazendo o caminho. Os alunos 18 anos era uma viagem prêmio antes de ingressarem na faculdade. Conversei com ele a respeito da responsabilidade desse trabalho e a importância para essa geração da importância de fazer o caminho, ensinando-os a cuidar de si mesmos. Ele respondeu ” Luiz Fernando você não acredita o que a gente viveu nesses cinco dias. Essa geração sabe tão pouco porque os pais lhes dão tudo, e eles só recebem, recebem, recebem. Que há alguns absurdos como um que um dos alunos, veio procura porque não conseguia tirar a pasta de dente do tubo. E ele teve que explicar para o aluno que a pasta de dente nova, tem um selo de alumínio que vedava. Tinha que tirar o selo antes. Me disse você não acredita nas coisas que temos que ensinar para esses adolescentes. E disse ainda que no ano passado depois da primeira etapa de 20 km mais de 10 alunos quiseram desistir porque era muito esforço. É que nesse ano pelo menos isso não tinha acontecido. E disse que hoje na Espanha há um movimento forte para retornar a ensinar trabalhos manuais, contato com a natureza, e não com mundo virtual! Para essa geração é fundamental!
Mais adiante, todo o grupo parou num convento onde duas freiras iriam explicar o sentido espiritual do caminho, e também fazer uma oração e ensina-los a orar para iniciar o Caminho. Eles pararam e eu tirei essa foto.
Olha! Definitivamente temos que repensar a educação dos nossos filhos! Essa geração precisa de um cuidado diferente, o cuidado de ensina-las a cuidar de si mesmas. Ontem quando fui lavar minhas roupas estava pensando sobre isso. No início do caminho eu chegava jogava três euros na máquina e colocava a roupa para lavar. Hoje já acho caro pagar três euros para lavar um par de meias, uma cueca, uma camisa, e uma bermuda. Mesmo que eu tenha caminhado 35 km e esteja muito cansado. Porque 15 minutos a mais de esforço não vai fazer diferença. Além disso na máquina gasta energia e muito mais água. Lembrei-me muito da minha mãe dona Maria Lúcia, pois ao lavar as minhas roupas comecei a fazer como ela, as roupas mais limpas primeiro, enxagua e pendura, e aproveitar água com sabão para lavar as roupas mais sujas depois com isso gasta pouca água e aproveita o sabão. Tudo isso eu sei porque tive uma mãe que ensinou e que vi ela fazer. Se não dermos exemplos para os nossos filhos como eles irão aprender? Essa pergunta que me faço!!
A Nega (apelido carinhoso da minha irmã, que também se chama Tânia) é um exemplo nesse quesito! Lembro quando o Enrico, perto de completar 18 anos, começou a “canta-la “ pra ganhar um carro! E ela respondeu: “Não vou tirar de vc a satisfação e o sentimento da conquista de comprar seu carro com seu próprio esforço “
E por falar em ensinar os filhos olha a família que encontrei no caminho vai com duas pequenos e a mãe com bebê de colo. Ensinando desde cedo a caminhar.
Ensinar a caminhar. É isso que temos que ensinar para os nossos filhos. Essa a lição que o caminho me deu!
Segui o caminho e como choveu muito na madrugada tinha muito barro e possas da água. Mas o tempo estava nublado, ora com chuvinha fina ora sem chuva. Passando por um povoado tinha 1 bar com monte de garrafas de cervejas na frente. Cerveja que chama peregrina tirei uma foto e segui passando adiante!
Mas pensei melhor e resolvi quebrar um paradigma. Vou pegar uma peregrina …rsrs! Voltei entrei no bar e tomei uma cerveja comendo um bocadilho! Tomar uma cerveja às 9h30 da manhã com mais 10 km para andar rsrs. Fazendo o caminho diferente!
Depois de tomar a cerveja, a gente podia escrever uma frase e deixar a garrafa pendurada ou em exposição. O que me veio ao coração foi simplesmente escrever a frase “viva a vida”! Escrevi e segui o meu caminho!
O tempo continuou chuvoso até a Pedrouzos (ou Pino). Cheguei cedo, fiz a rotina do lerere, e sai pra comer!

A noite encontrei um padre brasileiro no albergue! Conversamos um pouco e trocamos experiências do caminho! A gente aprende com as experiências dos outros Também!
Começa um frio na barriga, e um sentimento diferente!
Estou a 20 km de Santiago!!!
Um beijo!!






