Dia 09: O caminho nunca é plano

O CAMINHO DE SANTIAGO DE COMPOSTELA

 Dia 09 : Najera / Santo Domingo de La Calzada

Acordei muito melhor hoje. As dores nos joelhos já não incomodam, quase não sinto nada. Acho que o banho de água fria ontem no rio Najera foi fundamental para melhorar as dores nos pés e no joelho.. Comecei usar duas joelheiras também, uma que ganhei de um peregrino no caminho, e a outra fui comprar na noite anterior juntamente com uma pomada de diclofenaco, caso voltasse a dores. Aproveitei também para dormir bastante, Já que estava num quarto só pra mim. Acordei as 7h e as 8h00 iniciei minha caminhada.

O caminho estava tranquilo logo na saída de Najera havia uma subida bem forte e depois o terreno começou a ficar um pouco mais plano, mas sempre subindo e descendo. Percebi que não há sempre um terreno plano mesmo que o caminho seja mais fácil sempre tem uma subida e uma descida forte.

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Havia tomado um café bem simples um suco de laranja e um croissant, mas estava me sentindo muito bem mesmo depois de 7 km caminhando que eu nem parei para tomar o reforço do café: passei direto pela cidade de Azofra, e segui meu caminho.

Encontrei com mais um casal de americanos, conversei um pouco com eles e logo me despedi. O ritmo estava muito bom não sentia cansaço e conseguia caminhar num ritmo forte.

Às 11h00 já estava na cidade de Ciruena.  Já havia andado cerca de 17 km. Resolvi não parar e segui caminhando forte. É muito bom caminhar sem sentir dores, os passos fluem, independente das condições do caminho, tudo fica prazeroso.

Depois de mais 4 km, encontrei um peregrino jovem, mas que estava andando com muita dificuldade, quase se arrastando. Parei e perguntei a ele se ele precisava de alguma ajuda, se estava tudo bem, se eu pudesse fazer algo por ele. Ele respondeu que só sentia muitas dores nas pernas porque havia caminhado muito forte nos últimos dias, e como tinha puxado bastante estava com muitas dores na musculatura! E que ele tinha que diminuir o ritmo para conseguir cumprir o caminho. Passei a frente e continuei caminhando mas depois de uns 20 m a frente desse peregrino, me veio uma vontade de voltar e não entendia porque, aí pensei que sempre quando perguntamos se uma pessoa está bem, na maioria das vezes ela responde que sim até por educação, para não incomodar. E não diz o que está precisando. Então fui em direção ao peregrino, abri minha mochila peguei o diclofenaco que eu tinha comprado no dia anterior e ofereci a ele dizendo que isso iria melhorar as dores dele! Ele aceitou e perguntou se de fato poderia ficar com o medicamento! Respondi que sim e que não me faria falta. O nome dele era Pablo, se eu entendi direito, e era de Chipre!

Despedi e segui adiante! Acho que o caminho é isso mesmo um dia você recebe, outro dia você passa para frente aquilo que recebeu, a solidariedade!

Cheguei em Santo Domingo à uma hora da tarde, com disposição pra caminhar mais!

Pensei em seguir adiante, e a próxima cidade seria 7 km distante e a outra 14 km. Liguei nos albergues dessas cidades, mas nenhum atendeu. E como são cidades pequenas resolvi não arriscar seguir adiante sem ter a reserva de um albergue. Porque caso alguma dessas duas cidades não tivesse albergue eu teria que andar cerca de 37km no dia.

Então resolvi ficar em Santo Domingo, no albergue chamado “Casa pela Confraria de um Santo”. Um albergue que existe desde 1106, ou seja, mais de 900 anos de história. Achei muito interessante! Logo na entrada a responsável contou a história do albergue e a história do milagre de Santo Domingo. Desta vez, sem regalias, vida de peregrino: lavar roupas, quarto com 26 camas, e banheiro coletivo…rsrs

Vou jantar cedo,  depois ir missa, e dormir que amanhã vou estar ansioso pra começar mais uma etapa. Um beijo!

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