O CAMINHO DE SANTIAGO DE COMPOSTELA
Dia 04: Pamplona/ Puente de la reina
Como dormi com o fone de ouvido ouvindo músicas, acordei e tive a experiência mais incrível com uma música linda tocando, interpretada por Simon e Gurdunkel: “Bridge over troubled water” ( link) chorei!! Fazia todo sentido! Que sensibilidade do casal Alemão! Eles preparam o café reforçado e na hora que fui me despedir mais uma forte emoção! A Ilona me abraçou e disse meu check-list: “pegou seu passaporte? Pegou sua carteira? Pegou capa de chuva? Sua credencial? Seus bastões?”; Respondi sim a cada pergunta. Ela me abraçou de novo e disse “então Buen Camino “
Não precisa dizer o que aconteceu… chorei. Lembrei da minha mãe! Eram perguntas de mãe! As que a minha fazia quando saía de casa!
E assim começou o dia, pensando quanto significava para mim aqueles momentos! E que a gente também deixa um pouco de nós com eles! Receber com carinho também deixa marcas, é uma troca! Deixamos um pouco de nós e levamos pouco dos outros no coração! Isso é solidariedade! Comunhão fraterna e verdadeira de vida!
Encontrei o padre da Romênia no caminho, cumprimentamos e segui! O caminho era maravilhoso com muitos campos de trigo! Parei para comer numa cidadezinha pequena! Tinha uma igreja bem pequena, e fui rezar, pedir a Deus que me acompanhasse cuidasse da minha vida e da minha família!
Escutei 3 brasileiros dizer: “vamos embora, não podemos atrasar” e novamente tive a certeza que chegar não é importante, e sim caminhar e viver o caminho! Sem cobrar para cumprir uma meta, no prazo determinado! Porque o que eu estou buscando não está em Santiago, tenho certeza! Está no caminho!!
Nas pessoas, na natureza, no significado e sinais que vemos, nas igrejas, e no momento que estou vivendo! Por isso que estou devagar, tirando fotos, rezando, conversando com a Tânia e com as crianças, chorando e vivendo… e é o que eu penso e é isso que eu quero!
Engraçado como é gostoso caminhar lentamente escutando o som da natureza que é Deus falando com a gente: escutar o Vento, os passarinhos cantando, grilos, enfim, uma paz interior muito grande. E percebi que desde quando sair de Saint Jean sempre tem um pássaro cantando próximo a mim como se tivesse me dando força! Um passarinho está cantando! Lembro que fiz um vídeo ao sair de SJPDP, numa subida forte um passarinho apareceu e começou a cantar como se falasse “Força e fé” !! Deus vai nos falando !
Outro trecho marcante, é o autor do perdão, que é uma montanha que a gente sobe quando sai de Pamplona: peguei um vale lindo, com muito trigo e uma vegetação incrível e começa a subir em direção ao alto do perdão. Lá em cima tem um monumento super bacana em homenagem aos peregrinos.

De lá de cima a gente consegue avistar de um lado Pamplona e um vale lindo…maravilhoso, um vento gostoso você fecha os olhos e senti a paz e a presença de Deus e do outro lado um outro vale que a gente tem que descer a caminho a Puente de La reina. Então é um momento bem marcante desse trajeto… parar para apreciar, tirar uma foto, tomar uma água, e respirar naquele breve momento.
Mais um fato interessante: Recordo que quando eu cheguei em Roncesvalles, após atravessar os Pirineus na primeira etapa, cheguei bem quebrado, dor nas pernas, dor no joelho nos pés no corpo todo! Me sentindo arrebentado. Um companheiro de albergue, um americano puxou conversa e disse que ele estava ótimo! Disse que ia fazer o Caminho em menos de 30 dias para encontrar sua esposa em Santiago e depois passar férias de 10 dias ! E ainda fez umas dez flexões no chão! Pense “tô ruim mesmo”!!! …. Agora estou chegando aqui em Puente de La reina e encontrei o americano se arrastando, parecia um velhinho, faixas no joelhos, parei perguntei se estava tudo bem, se precisava de algo! Ele disse que estava bem! Mas acho que joelhos e bolhas estavam pegando! Deu dó! Todo vermelho e se arrastando…
É… O caminho realmente não é somente esforço físico.
Chegando em Puente de La Reina andei toda cidade; uma cidade medieval, ruas estreitas, igrejas muito antigas e as pessoas nos bares, tomando cerveja na calçada num ambiente bem descontraído. Atravessei a cidade cheguei na famosa ponte de la reina, a cidade tem o nome dessa ponte. E essa ponte foi construída por uma rainha espanhola, se não me engano a rainha Isabel…que fez em homenagem aos Peregrinos, porque, antes os peregrinos tinham que passar por dentro do rio e ela mandou construir a ponte pra facilitar a peregrinação, uma ponte muito bonita que em dias ensolarados ela se reflete no rio e fica uma imagem magnífica como se fossem arcos, é muito bonita. Uma ponte muito antiga, ponte medieval e ta ai uma foto dela pra marcar meu caminho.
Depois de cruzar a ponte, vi uma placa indicando o albergue… mas era uma subida muito forte que depois e 23 km caminhando no sol quente… olha não foi fácil…. Mas o sacrifício valeu a pena pois quando cheguei no albergue, era muito bonito, como se fosse um camping. Com os galpões grandes e com muita estrutura, tanto é que cheguei e já tinha uma cerveja gelada a minha disposição!!! Não deu outra, tomei logo dois copos. Assim finalizei o meu dia celebrando mais uma etapa.
Um beijo















