Dia 06: Vinho para seguir o caminho

O CAMINHO DE SANTIAGO DE COMPOSTELA

Dia 06 : Estella – Lizarra / Los Arcos

O dia começou um pouco mais tarde, acordei era umas 6h40 porque preferi dormir mais pra descansar. Sem hora para acordar. Os primeiros dias da caminhada sempre são mais fortes que a gente acaba carregando cansaço acumulado. Tomei café reforçado, e as 7h40 já estava com pé na estrada.

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A primeira parada foi 2 km após a saída, num lugar chamado frente pelo vinho. É um ponto de parada incrível porque há literalmente uma fonte com uma torneira de água e uma torneira de vinho, E os peregrinos podem tomar a vontade. Aproveitei para tomar um pouco de vinho e começar um dia de caminhada diferente.

Lembrei da minha pequena Ísis, porque quando tomei o primeiro gole de vinho fiz ahh!!! Que delícia. Ela faz sempre isso quando bebe alguma coisa, quem ensinou pra ela foi a Nathy.

Passei para um outro lugar onde são feitas pequenas lembranças do caminho são feitas como souvenirs. Pensei “se a Tânia tivesse aqui já iria querer comprar“. Só que no caminho se a gente for comprando tudo que vê é mais peso pra carregar então passei adiante!

A paisagem era muito bonita passar por bosques e caminhos de pedras e cascalhos bem pequenos. Comecei a rezar o terço pensando muito na minha vida profissional, e na empresa que recém trabalhei. Pela primeira vez coloquei algumas pedras no caminho! É comum você encontrar pedras amontoadas próximos ou sobre as marcas do caminho. É a tradição de quando você resolve algo interno você coloca uma pedra simbolizando aquilo que você resolveu dentro de você. Então pensei nas pessoas que trabalharam comigo nos últimos 14 anos, e para algumas eu deixei uma pedra no caminho representando que elas ficaram para trás. Engraçado sentimento que a gente tem, que é um sentimento de libertação que aquelas pessoas não te afetam mais, que aquilo que elas fizeram de mal ficou pelo caminho parado como uma pedra amontoado como tantas outras a margem do caminho. E a gente segue em frente. Confesso que deixei cerca que uma dúzia de pedras pelo caminho mas foi muito bom e libertador porque fazia isso rezando um terço e cantando algumas músicas da igreja.

Mas a frente caminhando num ritmo bem forte, mas saudável sem forçar, mais curtindo muito aquilo que estava vivendo. Foi quando me marcou bastante, a minha frente caminhava duas pessoas bem próximas, e quando me aproximei percebi que uma segurava no braço da outra que havia até como se fosse uma cordinha segurando no braço da outra… E aí percebi que uma delas era cega, e que o outro era o guia que estava ajudando ela fazer do caminho. Neste momento eu me emocionei bastante! Chorei ao ver aquela cena, o esforço e a fé daquele homem cego. Ao passar por ele eu disse buon camino. E ele respondeu bon camino Mi Hermano. Ao ouvir-lo chamar me de meu irmão chorei ainda mais. Pensei que esforço e ele está fazendo !!! E como eu posso reclamar do meu esforço. Para ele parecia muito tranquilo E ele ainda não estava vendo as belíssimas paisagens que quem tenha visão perfeita consegue ver!

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Fiquei bastante emocionado e pedia Deus que curasse da mim a cegueira da alma, porque temos tantas coisas boas na vida, e às vezes não conseguimos enxergar. Muitas vezes somos cegos da alma quando não conseguimos enxergar a beleza que temos em nossa vida a nossa saúde perfeita, o amor que temos, a nossa família, esposa, os filhos, os pais, os irmãos, sobrinhos, amigos, e também os bens materiais que conseguimos conquistar, independente se são grandes ou sejam eles pequenos. Quando agimos assim, e não enxergamos tudo o que somos e o que temos, é como estar na luz e fechar os olhos e ver na escuridão.

Pedia Deus que abra sempre os meus olhos, os olhos da alma para ver todas as belezas que ele me concedeu e me concede.

O caminho seguiu tranquilo, com sol ameno e paisagens de bosques e campos de trigo e cevada lado a lado.

No meio de um campo de trigo eu liguei para a Tânia que hoje está fazendo aniversário 42 anos, graças a Deus. Falei bastante com ela e com as crianças: a Isis, o Theo e Nathy, celebramos e cantamos juntos parabéns para Tânia minha esposa amada e querida. Que legal a tecnologia ajudou bastante hoje a gente passar juntos o aniversário da Tânia ela em casa com as crianças e eu no meio de um campo de trigo na Espanha. Parabéns meu amor! Amor da minha vida!

Cheguei em Los Arcos bem cedo. Ha uma hora da tarde já estava no albergue. Los arcos é uma cidade pequena de 1200 habitantes. Uma cidade medieval.

Há uma igreja, Santa Maria de Los Arcos muito, mas muito linda. Inclusive eu estou gravando essa nota nos jardins do claustro dessa igreja, uma igreja gótica bem bonita.

Agora temperatura começou a cair está chovendo bastante e daqui a pouco vou dormir porque amanhã tem mais um dia. Um beijo

 

Dia 05: Um Terço de presente…

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Dia 05 : Puente de la reina / Estella – Lizarra

Hoje o dia foi muito legal! Muito bacana! Sai cedo do albergue passei ao lado da ponte tirei mais uma foto, pois é um lugar muito tradicional, e segui o caminho. Mas logo começou a chover. Imediatamente coloquei a jaqueta e a calça de chuva e segui caminhando. Há uma certa altura do caminho tinha uma subida muito forte bem íngreme difícil. E tinha duas americanas caminhando lentamente, eram jovens mas percebi que estava com dificuldade para usar os bastões cajados. Passei por elas e uns 10 metros depois parei e voltei e perguntei se elas queriam ajuda… aí eu expliquei a elas como usar os estes os cajados, pois se você não usar eles direito, eles não te ajudam… mas pegando o jeito fica bem bacana. Se alguém me ensinou, eu deveria passar isso para frente…

 

Segui o caminho, parou de chover e a paisagem estava maravilhosa, muitas, mas muitas flores como é bom caminhada aqui na primavera porque além das flores de várias cores, o cheiro delas também te acompanha. Então o caminho de hoje foi marcado pelas flores!!

O trecho não é tão difícil passamos por várias pequenas cidades todas medievais e com certeza muita história em cada uma delas entrei numa igreja, rezei novamente e tinha uma Americana cantando uma música muito linda dentro da igreja.

 

Quase chegando em Estella havia um monastério muito antigo do século X que foi dedicado a São Miguel Arcanjo. Olha ele aí de novo! Nosso santo de devoção. Nosso anjo de proteção. Em Estella fui diretamente ao albergue dos cappuccino os segui meu ritual de tomar banho, lavar as roupas e jantar.

Para finalizar eu fui à missa, mas quando cheguei na igreja, eu fui informado que hoje não teria a missa das 7h00 por causa de uma celebração que os sacerdotes estavam fazendo. Mas a senhora que me deu essa notícia me entregou um livreto que explicava o significado da Eucaristia, escrito por ela mesmo após ser questionada por um amigo se ela iria à missa apenas para cumprir um preceito. Recomendou que eu lesse porque fez muito bem a ela, a busca do significado verdadeiro da Eucaristia. Eu a abracei, agradeci e fui rezar. Um minuto depois ela veio novamente, tocou nas minhas costas e me entregou um terço de presente. Quando olhei percebi que é idêntico ao primeiro terço que eu recebi de presente há mais de 20 anos atrás, após a minha primeira experiência de oração. É um terçinho simples mas que brilha no escuro. Esse terço no passado foi dado para mim pela irmã Ivani na com comunidade providência santíssima. Yuri muitas vezes com esse terço me trouxe revelações muito fortes experiências com Maria que lembro até hoje e marcaram a minha vida. Novamente recebo esse presente pelas mãos de uma outra pessoa. É Deus falando comigo.

Beijo

 

 

 

Dia 4: De Pamplona a Puente de la reina

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 Dia 04: Pamplona/ Puente de la reina

Como dormi com o fone de ouvido ouvindo músicas, acordei e tive a experiência mais incrível com uma música linda tocando, interpretada  por Simon e Gurdunkel: “Bridge over troubled water” ( link) chorei!! Fazia todo sentido! Que sensibilidade do casal Alemão! Eles preparam o café reforçado e na hora que fui me despedir mais uma forte emoção! A Ilona me abraçou e disse meu check-list: “pegou seu passaporte? Pegou sua carteira? Pegou capa de chuva? Sua credencial? Seus bastões?”; Respondi sim a cada pergunta. Ela me abraçou de novo e disse “então Buen Camino “

Não precisa dizer o que aconteceu… chorei. Lembrei da minha mãe! Eram perguntas de mãe! As que a minha fazia quando saía de casa!

E assim começou o dia, pensando quanto significava para mim aqueles momentos! E que a gente também deixa um pouco de nós com eles! Receber com carinho também deixa marcas, é uma troca! Deixamos um pouco de nós e levamos pouco dos outros no coração! Isso é solidariedade! Comunhão fraterna e verdadeira de vida!

Encontrei o padre da Romênia no caminho, cumprimentamos e segui! O caminho era maravilhoso com muitos campos de trigo!  Parei para comer numa cidadezinha pequena! Tinha uma igreja bem pequena, e fui rezar, pedir a Deus que me acompanhasse cuidasse da minha vida e da minha família!

 

Escutei 3 brasileiros dizer: “vamos embora, não podemos atrasar” e novamente tive a certeza que chegar não é importante, e sim caminhar e viver o caminho! Sem cobrar para cumprir uma meta, no prazo determinado! Porque o que eu estou buscando não está em Santiago, tenho certeza! Está no caminho!!

Nas pessoas, na natureza, no significado e sinais que vemos, nas igrejas, e no momento que estou vivendo!  Por isso que estou devagar, tirando fotos, rezando, conversando com a Tânia e com as crianças, chorando e vivendo… e é o que eu penso e é isso que eu quero!

Engraçado como é gostoso caminhar lentamente escutando o som da natureza que é Deus falando com a gente: escutar o Vento, os passarinhos cantando, grilos, enfim, uma paz interior muito grande. E percebi que desde quando sair de Saint Jean sempre tem um pássaro cantando próximo a mim como se tivesse me dando força! Um passarinho está cantando! Lembro que fiz um vídeo ao sair de SJPDP, numa subida forte um passarinho apareceu e começou a cantar como se  falasse “Força e fé” !! Deus vai nos falando !

Outro trecho marcante, é o autor do perdão, que é uma montanha que a gente sobe quando sai de Pamplona: peguei um vale lindo, com muito trigo e uma vegetação incrível e começa a subir em direção ao alto do perdão. Lá em cima tem um monumento super bacana em homenagem aos peregrinos.

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De lá de cima a gente consegue avistar de um lado Pamplona e um vale lindo…maravilhoso, um vento gostoso você fecha os olhos e senti a paz e a presença de Deus e do outro lado um outro vale que a gente tem que descer a caminho a Puente de La reina. Então é um momento bem marcante desse trajeto… parar para apreciar, tirar uma foto, tomar uma água, e respirar naquele breve momento.

Mais um fato interessante: Recordo que quando eu cheguei em Roncesvalles, após atravessar os Pirineus na primeira etapa, cheguei bem quebrado, dor nas pernas, dor no joelho nos pés no corpo todo! Me sentindo arrebentado. Um companheiro de albergue, um americano puxou conversa e disse que ele estava ótimo! Disse que ia fazer o Caminho em menos de 30 dias para encontrar sua esposa em Santiago e depois passar férias de 10 dias ! E ainda fez umas dez flexões no chão! Pense “tô ruim mesmo”!!! …. Agora estou chegando aqui em Puente de La reina  e encontrei o americano se arrastando, parecia um velhinho, faixas no joelhos, parei perguntei se estava tudo bem, se precisava de algo! Ele disse que estava bem! Mas acho que joelhos e bolhas estavam pegando! Deu dó! Todo vermelho e se arrastando…

É… O caminho realmente não é somente esforço físico.

Chegando em Puente de La Reina andei toda cidade; uma cidade medieval, ruas estreitas, igrejas muito antigas e as pessoas nos bares, tomando cerveja na calçada num ambiente bem descontraído. Atravessei a cidade cheguei na famosa ponte de la reina, a cidade tem o nome dessa ponte. E essa ponte foi construída por uma rainha espanhola, se não me engano a rainha Isabel…que fez em homenagem aos Peregrinos, porque, antes os peregrinos tinham que passar por dentro do rio e ela mandou construir a ponte pra facilitar a peregrinação,  uma ponte muito bonita que em dias ensolarados ela se reflete no rio e fica uma imagem magnífica como se fossem arcos, é muito bonita. Uma ponte muito antiga, ponte medieval e ta ai uma foto dela pra marcar meu caminho.

Depois de cruzar a ponte, vi uma placa indicando o albergue… mas era uma subida muito forte que depois e 23 km caminhando no sol quente… olha não foi fácil…. Mas o sacrifício valeu a pena pois quando cheguei no albergue, era muito bonito, como se fosse um camping. Com os galpões grandes e com muita estrutura, tanto é que cheguei e já tinha uma cerveja gelada a minha disposição!!! Não deu outra, tomei logo dois copos. Assim finalizei o meu dia celebrando mais uma etapa.

Um beijo

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Dia 03: Solidariedade, paz e muita beleza!

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 Dia 03: Zubiri / Pamplona

Hoje o caminho foi mais tranquilo. Sai de Zubiri bem cedo depois de tomar café com os amigos do albergue. Incrível como tem gente do mundo todo:Canada, Nova Zelândia, Portugal, Bélgica, Alemanha, Bulgária, Romênia, enfim pessoas do mundo todo. Impressionante como espírito do caminho faz com que todos sejam como uma família.

Hoje passamos por paisagens maravilhosas, campos de trigo, cachoeiras, campos de flores, enfim uma paisagem sensacional. Caminhamos sempre próximo ao rio que chegar até Pamplona.

Em dado momento numa subida lembrei de uma foto do curso de Consciência Sistêmica, do Fernando Freitas que usou a foto de um senhor de idade caminhando numa subida e com céu azul a sua frente e essa foto representava a vida, ou seja, o caminhar para vida. Hoje senti isso muito próximo de mim caminhando nessas paisagens pude ver claramente aquela imagem.

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Chegando num povoado próximo Pamplona fui uma igreja com um altar muito bonito com a santíssima Trindade Maria e no alto, a imagem de São Miguel Arcanjo. Entrei na igreja e fiz uma oração: a oração que eu faço com as crianças antes de dormir que é um Pai-Nosso, uma ave Maria, gloria ao Pai, Providência Santíssima e a oração de São Miguel ou seja, tudo o que estava no altar! Me emocionei porque lembrei da minha família, dos meus filhos, e isso me fez muito bem porque eu sai da igreja e andei num ritmo bem forte e tranquilo. Cheguei em Pamplona com muita disposição!

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Fiquei no alberque municipal onde tive uma experiência incrível de solidariedade: Esse albergue é público e custava 7 euros a pernoite e mais 3 de café da manhã. É cuidado por um casal de voluntários alemães, Roland e Ilona. Quando cheguei segui o ritual, banho e lavar as roupas. Como não tinha máquina, lavei na mão e pus para secar no varal! E tive que sair para ver uma mochila nova. Mas quando estava fora do albergue, começou a chover e eu fiquei desesperado porque ia molhar todas as roupas que eu tinha lavado e estavam praticamente secas. Ficava pensando “nossa e agora que eu vou fazer?” Minha cabeça começou a pensar no plano B… em como secar essas roupas no caminho, mas se chover, como lavar novamente etc. Mas quando cheguei no albergue a Ilona já tinha recolhido e guardado minhas roupas! E quando eu fui agradece-la, ela disse: você é peregrino e estou aqui pra te ajudar. Um casal abençoado !

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Sai para comer num restaurante perto da Plaza de touros de Pamplona! O jantar fui muito bom: carne e um feijão típico da região!

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Antes de dormir, conversei mais com os alemães e com um padre da Romênia! Falei sobre o movimento carismático no Brasil e o padre que se chama Marian, disse que conhecia e admirava!

E na hora de dormir, lembrei muito da Nathy, na verdade ela salvou minha noite de sono!!! Rsrs… O quarto era pequeno com 3 beliches, sendo que 3 caras roncavam e um especialmente parecia um trator esteira! Rsrs… Era ronco de todas nacionalidades rsrs! Aí lembrei do spotfy e que Nathy tinha feito uma seleção de músicas, e tinha sons de chuva para dormir! Foi uma benção! E rapidamente dormi relaxado ao som de chuva!!! Obrigado filhota!! Você está comigo no caminho!

Enfim um dia maravilhoso. Obrigado meu Deus por tantos sinais e tantas bençãos Um beijo Te amo

Dia 02: Ritmo interno e paz…

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 DIA 02: Roncesvalle / Zubiri

O dia começou e estava um pouco preocupado com a recuperação do dia anterior! Mas graças a Deus acordei bem disposto umas 6h00, E também não tem como ser diferente no albergue de rússias vale, porque é um albergue muito grande e muitos peregrinos acordam cedo. Na ala onde eu estava havia pelo menos umas 60 pessoas. Tomei café,  e logo sai para o caminho e tirei a foto tradicional próxima a placa Santiago de Compostela ali pertinho….790 km.

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Encontrei um amigo canadense, Claud, e caminhamos juntos uns 7km. Ele foi a primeira pessoa que fiz amizade quando cheguei em Saint Jean. Engraçado que senti nesse momento quanto é importante ter amigos que nos conhece, por mais bobo que parece ser, encontrar uma pessoa que já me conhecia há um dia foi muito bom! Veio a sensação de segurança, como “já tenho uma pessoa que me conhece e se eu precisar eu posso chamar pelo nome“. E aí eu reflito, quão importante são os amigos pra nós, aqueles que nos conhece como nós somos, quanto à segurança isso nos dar. Pensei também como é bom ter uma companheira para caminhar a vida Comigo, e pensei na Tânia, e como é bom ter ela na minha vida!

Choveu bastante no início do caminho, e depois de uns 5 km parei num lugar para comprar umas frutas e e castanha porque sabia que o caminho também não seria fácil. No início passamos no meio de várias fazendas com gado  e muitas ovelhas também. Paisagem muito bonita com vários riachos que tivemos que atravessar. Lembrei do Ié, meu irmão, porque eram fazendas muito bonitas e o pasto tudo verde.

Pela metade do caminho depois de andar 12 km, parei para comer um bocadilho que é um sanduíche de presunto e queijo, e seguir em frente. A partir daí o trecho ficou bem difícil voltou a chover e muita descida em caminhos estreitos, cheio de pedras e lama. Nesse momento reduzi a velocidade caminhando a passos menores e mais lentos porque já sentia a parte física, e ao caminhar mais devagar e pausadamente percebi que era melhor conseguia curtir mais o caminho refletir mais, sentir mais a presença de Deus em meio uma natureza maravilhosa. E principalmente não cansava tanto. Me chamou atenção que neste momento veio caminhando atrás de mim 1 casal falando em inglês, e um disse direcionado a mim” olha que homem cheio de paz”!

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Incrivelmente eu estava num estado muito contemplativo e muita paz interior muito em contato com Deus. Respondi a ele em inglês que eu estava contemplativo, ele riu e me perguntou quantos dias eu gastaria para chegar em Santiago naquela velocidade. Eu sorri e disse que eu teria o tempo necessário. Engraçado, eu já eu já vinha ouvindo a conversa dele, antes dele chegar até mim, porque ele não sabia que eu entendia a língua dele. E ele contava se vangloriando dos países que conhecia e das viagens que tinha feito a trabalho. Pensei comigo mesmo, esse ritmo eu já conheço : fala bastante dos feitos, pensa muito, caminha rápido e que quer chegar logo. E aí tive mais a certeza que não é nesse ritmo  que eu quero viver daqui pra frente, e tampouco é o ritmo que eu vou fazer do caminho de Santiago!

O trabalho sempre vai existir a o seu ritmo e exigência.

Mas ritmo interno quem determina somos nós.

Beijo!

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Dia 01: Atravessando os Pirineus

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DIA 01: Saint Jean Pied the Port / Roncesvales

Hoje em Saint Jean Pied the Port  começou a primeira etapa do caminho!

Ontem fui à missa aqui e foi maravilhoso porque a leitura foi feita exatamente para o propósito que eu tenho para o caminho. Falava sobre a leveza da vida. Que devemos tomar o jugo de Jesus, de Deus e não dos homens. Que nós não devemos nos comparar com os outros, mas nos comparar com nós mesmos dando o melhor de si! Fazendo o nosso melhor o seu melhor! Vou postar aqui a trecho final da liturgia eu também da homilia de ontem. Ela tem tudo a ver com propósito do meu caminho.

 

 

No trajeto é incrível as pessoas que se conhece, encontrei uma família da Nova Zelândia que está fazendo o caminho.  Estão  viajando a avó com o neto de 8 anos e o pai dela de 70 anos!  É um exemplo de determinação e união de 3 gerações! Eles até compraram um carrinho de crianças para levar o neto quando ele se cansar, e durante o caminho eu encontrei eles novamente e a avó me disse que o neto caminha com tranquilidade, ou seja, oito anos de idade caminho 27 km uma subida de 1400 m depois uma descida bem acentuada.

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Este foi o trecho mais difícil sem dúvida alguma porque teve muita subida em um terreno totalmente irregular!!! Porém a paisagem era maravilhosa. Vale a pena! Minha mochila incomodou, talvez pelo peso ou talvez por questões de ajuste. Mas eu percebi que se tivermos carregando muito peso nós não conseguimos apreciar a paisagem… É como a vida!  Se somos muito apressados ou carregamos uma carga muito grande, que geralmente não é nossa, não conseguiremos  aproveitar a vida, e vive la plenamente, curtindo junto com  as pessoas que amamos e as paisagens que encontramos!

Cheguei Roncesvalle bastante cansado mas com sentimento de missão cumprida do caminho feito. Fui à missa maravilhosa e fiz junto com outros peregrinos uma visita guiada por um padre ao monastério!

Um pouco de história e arquitetura da Espanha. A igreja de Roncesvalle é a primeira igreja gótica da Espanha, ela é cópia menor de catedral de Norte dame!

Agora estou abastecido e vou dormir porque amanhã tem mais uma etapa!

Um beijo. Luiz Fernando

 

O Inicio

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DIA 0 : Ribeirão Preto/ São Paulo/ Madrid/ Pamplona/ Saint Jean Pied The Port

Bom, chegou momento! Vou embarcar agora para a Espanha ! Dentro de uma hora meu avião parte aqui de São Paulo. Na minha cabeça é um turbilhão de coisas!  Eu vou começar um caminho que vai marcar minha vida! E iniciar uma nova etapa da minha vida. Será uma passagem, como uma ponte que separa o velho do novo!

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E vem a minha memória que há pouco mais de 20 anos atrás quando comecei a minha carreira profissional eu estava fazendo meu último estágio antes de me formar,  saindo da faculdade e iria começar minha carreira, sem saber o que faria, nem aonde trabalharia! O normal para o iniciante.

Era o último estágio como estudante, era a passagem para outro status e a partir dali eu seria profissional formado! E foi marcante pra mim uma frase que eu escrevi no relatório desse estágio. A frase que iniciou o relatório era um provérbio chinês “Para se fazer uma caminhada de 1000 passos é necessário dar o primeiro”.

Se há 20 anos atrás  eu começava uma carreira de sucesso, com toda vontade crescer, de conquistar coisas, espaço, nome no mercado, bens materiais e Graças ao bom Deus, esforço e garra que tive, eu conquistei!!!

Incrível que mais de 20 anos depois estou fazendo a mesmo! E agora eu estou dando o primeiro passo de uma nova caminhada … e serão quase 1 milhão de passos literalmente no caminho de Santiago.

Contudo,  nesse novo caminho  vou começar uma nova etapa da minha vida de um jeito diferente! O objetivo agora é o SER”, e não o ter!  É começar uma vida mais leve, mais plena e contemplativa, curtindo mais as conquistas ! Curtindo mais e vivendo mais a vida pois ela só se basta para agradecer! E celebrar todos os dias a vida!! Sem pressa! Sem pressão interna ! Sem cobrança interna que tudo tem que ser certo e rápido! Modular as respostas e a velocidade!

Talvez por por isso que escolhi o caminho ou melhor ele me escolheu! Para ensinar e aprender um novo ritmo na vida! A aprender a orar mais contemplativo! Respirar mais pausado!  Curtir a paisagem!  Porque caminhar, como viver, sempre é preciso! Então que seja prazeroso!  Viver a máxima que O caminho é mais importante que a chegada!

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Quero melhor aproveitar meus momentos !! Minha felicidade que eu conquistei!  Curtir mais a minha família! A esposa que eu amo e os meus três filhos, bençãos de Deus na minha vida!! Saber viver o momento e pensar menos!  Enfim eu vou ao reencontro comigo mesmo, e de uma nova forma de ver e viver  o mundo! É uma reconfiguração do meu eu!

E sendo o novo, o profissional seguirá o mesmo caminho! Será como uma roupa, a roupa velha não servirá! Apenas a roupa nova fará sentido, servirá e será confortável!

E usando essa nova roupa recomeçarei os próximos 20 anos de profissão com muita conquista, sem abrir mão do bem estar com a família e amigos, aproveitando todos momentos!

Uma nova etapa de uma nova vida mais leve feliz e plena !

Beijo. Luiz Fernando

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