Dia 16: Mais caminhada e oração

O CAMINHO DE SANTIAGO DE COMPOSTELA

 Dia 16 : Carrion de Los Condes/ Morantinos

A noite de sono foi muito boa. O albergue é bem bacana, a gente sente o cuidado que as freiras tem conosco! E o valor pago é apenas 5 euros, é de graça por tudo que recebemos. Num lugar como esse claro que dormi bem, e logo de manhã às 4h30 já estava acordado.

Impressionante como é rotina de um albergue às 22:00h praticamente todos dormindo e a partir das 4h00 a gente já começa a ouvir as primeiras movimentações daqueles que acordam bem cedo para caminhar. Com os barulhos eu acordei. Mas fique um pouco mais na cama até as 5h40 quando meu despertador tocou, sai da cama, me aprontei rápido e as 6h10 já estava tirando a primeira foto do dia em frente à igreja de Santa Maria.

Essa igreja marcou meu caminho porque como disse ontem eu me senti muito bem, foi como um convite que Nossa Senhora fez para que eu ficasse naquele lugar, naquela cidade e também naquele Albergue. Quis tirar novamente uma foto antes mesmo do dia amanhecer.

Como não havia café da manhã no albergue, Fui procurar 1 bar pra comer um bocadilho, um suco de laranja e um café. Mas não havia nenhum bar aberto, então resolvi seguir o caminho com aquilo que tinha na mochila, 3 pêssegos e uma nectarina.

Na saída da cidade tinha um bar aberto, mas não tinha bocadilho, tomei apenas um expresso! Lá Encontrei Jodie, e iniciamos o caminho juntos.

A próxima cidade estava a 16 km de Carrion de los Condes, e não havia nenhuma cidade ou vilarejo nesse trecho. Então seria uma puxada de mais 3h00 de caminhada. Depois de uns 30 min me distanciei da Jodie para seguir meu caminho, e começar a orar!
O trecho era bem plano, uma só reta onde a gente caminhava, caminhava, e caminhava….

É interessante que nessa etapa do caminho a gente começa a entrar em contato com nosso mundo interior. Eles dizem que os primeiros 10 dias do caminho é um esforço físico, etapa física. Os próximos 10 dias é a parte mental em dupla emocional. E os últimos 10 dias é o emocional e espiritual. Como estou exatamente no meio do caminho comecei a perceber hoje que a dor física já não me incomoda mais, a mochila parece que já faz parte do meu corpo. Os pés sim incomodam, mas apenas depois de 20 km de caminhada! Então contato com o emocional começa a ser mais forte, nas orações aparecem todas as situações que nos incomoda, as dores, saudades e aquilo que você gostaria de mudar, de deixar para trás. Assim foram 3h20 de caminhada.

O dia estava muito ensolarada o amanhecer foi lindo e às 10h00 o sol já estava forte. Ainda bem que nossa senhora ontem me convidou pra ficar em Carrion de Los Condes, por que não seria fácil andar esses 16 km com sol do meio dia…

Comentei mais tarde isso com Jodie , e ela disse “ Deus cuida muito de você e Nossa Senhora sempre esta ao seu lado.”
No primeiros 12 dias do caminho só enfrentei chuva, lama, possas da água e nuvens. Agora o tempo virou e será mais sol. E caminhar no sol forte não é nada fácil!
Nas minhas orações, muita emoção e muita conversa com Deus, colocando pra ele todas as situações que me incomodam o que eu quero deixar pra trás na minha vida!
A Nathy veio muito forte nas orações e eu pedi as bênçãos e a orientação de Deus na vida dela, e que Maria também sempre a acompanhe e oriente. Meus filhos e minha esposa sempre vem nas minhas orações, são as bençãos em minha vida que Deus me concedeu.
Parei na cidade Calzadilla de la Cueza, comi uma tortilha com suco de laranja e segui minha viagem. Na etapa final encontrei Jodie novamente e chegamos juntos a Morantinos, que era meu destino no dia!

Bom que ela recebeu uma recomendação de um albergue que é muito bom, um albergue de um italiano com uma estrutura, com um grande jardim e uma fonte de água fria para a colocar os pés!

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Após 31 km de caminhada, não deu outra, pés na água fria! rs

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Dia 15: Um dia marcante com Nossa Senhora

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 Dia 15 : Fromista / Carrion de Los Condes

Hoje, dez pra seis já estava de pé e às 6h20 estava no caminho, antes mesmo do sol nascer já estava com o pé na estrada. Despertei hoje com vontade de ficar sozinho e falar bastante com Deus, entrar contato comigo mesmo.

Caminhei o tempo todo assim, 22 km,  eu e Deus! O dia amanheceu lindo sem nenhuma nuvem no céu em um caminho reto e sem subida, relativamente fácil de se caminhar.

O caminho hoje se resume em oração! Maravilhoso quando nós conseguimos entrar em contato com nós mesmos, com as nossas dores, com as nossas alegrias e louvando, agradecendo e pedindo a Deus sempre.

Hoje não tenho muito que falar porque foi muito sentido o tempo todo andei num ritmo bom e como o caminho favoreceu as 11h00 eu estava já em Carrion de Los Condes e já havia percorrido 20 km.

Quando cheguei na cidade pensei em andar mais 16 km até a próxima cidade que tem albergue. Mas resolvi entrar numa igreja… nem vi o nome simplesmente entrei. E a sensação que eu tive foi tão boa, mas tão boa! Havia um altar lindo com sacrário iluminado, uma imagem linda de Nossa Senhora, e também o altar de São Miguel Arcanjo meu anjo protetor. Eu orava e contemplava o todo tempo. Tive sono e quase dormi no banco da igreja. Relaxei, tirei o sapato, deixei a mochila de lado , e fiquei num estado contemplativo e muito interiorização, que me fez sentir tão bem, mas tão bem que decidi permanecer na cidade! Ali fiquei por quase uma hora. E quando sai já era meio dia e 10.

Na praça ao lado da igreja, sentei comi um lanche, tomei água e fui procurar albergue. Mas para minha surpresa ao lado da igreja de Santa Maria havia um albergue de Santa Maria, que era o melhor da cidade. Esse albergue era cuidado pelas freiras que faziam com todo carinho a preparação do albergue a receptividade dos peregrinos. Tratou todos nós com muito carinho. O Albergue é muito bem cuidado e ali fiquei.

Para minha surpresa na fila do albergue atrás de mim depois de cinco minutos chegou Jodie. Americana que é minha amiga e que nos despedimos em Burgos achando que nós não iríamos encontrar mais. Foi uma grande felicidade encontra- lá! Encontrei também uma brasileira de Florianópolis. La fizemos amizades, dividirmos os custos para lavagem e secagem de roupa, porque quando em três fica bem barato lavar e secar e nos permite ter mais tempo para relaxar. Fomos tomar uma cerveja e almoçar e depois fomos da missa.

A missa na igreja de Santa Maria é muito linda, as freiras cantavam ao som de um violão que tocavam, músicas em espanhol que eu não entendi a letra mas que fazia todo sentido em nosso coração e de todos os peregrinos.

Ao final, recebemos uma benção especial dos peregrinos, e uma benção de santa Maria da Vitória, ou Santa Maria do Caminho como é conhecida essa imagem nessa igreja: é uma imagem do século XI, construída toda em pedra para oração e aos peregrinos no caminho.

Um dia intenso de oração e espiritualidade, de vivência e de contato com Deus.

Um dia pra marcar na nossa vida e história, de uma forma muito gostosa. Um beijo

Dia 14: Natureza Deslumbrante

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 Dia 13 : CastroJeriz / Fromista

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O dia hoje amanheceu maravilhoso!

Eram 6h30 e não tinha uma nuvem no céu e o céu muito azul.

Foi o primeiro dia do caminho onde não houve chuva, e nem nuvens o tempo nublado.

Realmente foi um dia muito lindo, o céu o azul contrastava com a vegetação verde de várias tonalidades, e também as flores vermelhas, amarelas, azuis, violetas e rosas.

Sai de Castrojeriz que fica no alto de uma colina e descemos pelo Vale Longo, muito comprido e logo em seguida voltamos a subir a colina com o sol nascendo… o céu azul sem nuvens e o Vale visto da colina era uma visão deslumbrante!

Subi bem devagar apreciando cada passo do alto da colina, tirei algumas fotos numa visão panorâmica que ter uma noção muito boa da beleza que eu vi ali de CastroJeriz ao amanhecer.

Logo depois veio uma descida acentuada de novo uma caminhada longa pelo vale. Parei no meio do caminho para tomar um café e comer um bocadinho, mais logo segui em frente. Apesar do sol, o tempo não estava quente e a temperatura estava muito agradável, e fez com que a caminhada fosse leve, calma e muito agradável.

Passando pela cidade de Boadillo del Camino, havia uma festa do padroeiro daquele provado que era Santo Antônio. Participamos um pouquinho da festa, e é muito engraçado porque são muito poucas pessoas que vivem lá e havia uma banda de três pessoas, de três músicos, e as pessoas caminhando em direção à igreja.

Entrei na igreja encontrei uma surpresa : uma pia batismal romana do século XI. E a igreja também datava do século XI uma igreja muito bonita.

Como estava com bastante disposição segui viagem até Fromista, adiantando 6 km do meu trajeto original, do meu planejamento original. Segui e cheguei em Fromista às 2h00 e seguir a rotina banho, lavar roupas, a um almoço/jantar, falar com a minha família amada e ir dormir.

Em resumo nesse dia melhor do que texto, as fotos retratam com mais fidelidade toda beleza do caminho! Um beijo

Dia 13: Muitas flores e vinhos…

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 Dia 13 : Rabes de Las Calzadas / CastroJeriz

 Acordei com os sinos da igreja as 6:00h. O povoado era pequeno e o albergue ficava do lado da igreja!  O café foi servido às 6:39 e a Clementina, responsável pelo albergue, fazia torradas frescas e servia o café! Um albergue muito organizado e bem cuidado!

As 7:00 já com o pé na estrada. Coincidentemente um brasileiro que estava no albergue saiu junto comigo! Eu havia conhecido no jantar da noite anterior, e me chamou atenção porque chorou  muito na hora do jantar! Emocionado com o que vivenciou no caminho!

Começamos a caminhar juntos mas logo segui adiante para fazer minhas orações, e depois de uns 15 minutos, retardei o passo e começamos a conversar!

O nome dele é Emanuel, é de Salvador, e hoje trabalha com consultoria de gestão! Sua história é bem parecida com a minha, tinha deixado o trabalho há 7 anos e hoje é consultor!

Fomos conversando bastante durante o caminho! Uma pessoa bem interessante, culta e estudiosa!

O caminho estava com muito barro e trechos de estrada! Havia poucas cidades, passamos apenas por 2, e em Hontanas o parei para um café e ir na igreja !

Havia muitas flores, e fiz varios ramalhetes para Tania, pois é dia dos namorados!

Cheguei em Castro Jeriz as 14:00 h depois de 28km , parei no albergue Ultreia, muito legal!

Debaixo do albergue tinham galerias que são do século 11! Que hoje é uma adega!  Jantamos todos juntos e fomos visitar as galerias ! Ouvimos as histórias da época e fizemos e brindamos com vinho que estava sendo envelhecido!

 

Dia 12: Despedida em Burgos

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 Dia 12 : Cardenuela de Rio Pico / Rabes de Las Calzadas

 Amanheceu chovendo e muito frio. Eram 6h30 e a temperatura estava 11°, com uma chuva calma e fina. Tomei o café comunitário com todos os outros peregrinos e às 7h30 iniciamos a caminhada.

Primeiro trecho foi até Burgos em caminho regular e plano.

Durante todo esse percurso a Jodie esteve comigo, falamos bastante desde a noite anterior. Uma pessoa muito sensível e muito bacana. Ela estava trazendo com ela várias pedras, que representava a intenção de pessoas que pediram ajuda e a intercessão e a oração dela a Deus e a Santiago. Tive um apreço especial pela Jodie, Americana que vive em Washigton, e também teve uma história muito forte de superação na vida! Na noite anterior eu dei a ela um terçinho de mão de NSAP, e ela ficou emocionada e agradeceu muito, e também me deu um terço que ela trazia de muito tempo.

Do caminho de Cardunuela até Burgos falamos pouco porque ambos estávamos rezando: ela o terço, e eu caminhando e conversando muito com Deus… uma oração mais pessoal vamos dizer assim.

Quando chegamos em Burgos a chuva apertou bastante! Chovia muito e tivemos que atravessar a cidade inteira! É uma cidade grande de 160.000 habitantes e muito horizontal então gastamos pelo menos 1 hora e meia até chegar à Catedral.

É uma catedral magnífica, estilo gótico construída em 1100, uma das catedrais mais bonitas que conheci.

O Albergue municipal ficava ao lado da igreja. Havia ali também 1 bar que servia bocadilho, tortillas, café e suco. Nós paramos e comemos Uma tortilha e um café.

A Jodie Tinha planejado ficar em Burgos para conhecer melhor a cidade. E ali nos despedimos. Foi muito emocionante porque ela também teve um apreço grande por mim, me agradeceu muito pelas conversas, pelo apoio e troca de experiências! E disse que se precisasse de algo em Washington, poderia contar com ela! Nós nos abraçamos, com muita emoção, tiramos uma foto e eu segui o caminho.

Fiquei pensando como que é bom caminhar com alguém que tem os mesmos valores, se identifica com vc, que respeita seus sentimentos e tem uma boa conversa! Vou sentir saudades da Jodie, pois não sei se vou encontrá-la novamente no caminho. Mas assim é a vida! Vou leva-la no coração!

Mas como eu disse aos dias atrás o meu caminho pelo mundo sou eu quem traço sou eu quem faço. Fui à Catedral de Burgos, que uma catedral maravilhosa muito linda. Entrei apenas para visitar rapidamente e por sorte estava tendo uma missa na capela Sagrado Coração de Jesus, dentro da própria Catedral. Entrei e consegui assistir o final da missa e receber a benção do Peregrino!

Nessa hora chorei bastante, estava bem emocionado… fiz minhas orações e segui o caminho. Daqui pra diante caminhei sozinho (com Deus) e só foi caminhar, caminhar e caminhar mais 16 km até chegar ao destino que eu havia planejado, na cidade de Rabes de Lãs Calzadas!

Desde ontem comecei a fazer o meu próprio caminho, no sentido de escolher quantos km quero caminhar e quais cidades eu quero dormir. Tenho um guia de viagem agora apenas como referência, mas eu estou decidindo os próximos passos. Hoje caminhei 28 km! Porque Deus, a vida e o caminho já me deu régua e compasso!

Dia 11: Muita Saudades e emoção

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 Dia 11 : VillaFranca Montes Oca / Cardenuela de Rio Pico

 Hoje eu acordei com aquele sentimento “o que eu estou fazendo aqui? “. Não sabia direito expressar meu sentimento de vazio, de vontade de estar em casa, de ir embora, enfim, eu realmente pensava “o que eu estou fazendo aqui e porque que eu estou fazendo esse caminho?”. Fui tomar café encontrei minha amiga americana chamada Jodie, que estava sentada com dois italianos, me sentei a mesa com eles e logo disse “hoje estou com vontade de  chorar, não sei o que estou fazendo aqui“ eles deram risada e disseram que todos tem esses sentimentos.

Comecei a caminhada já muito emocionado. O caminho era muito bonito dentro de um bosque muito grande, no alto de uma montanha.

A certa altura do caminho comecei a rezar e cantar algumas músicas que naquele momento faziam todo sentido para mim. Lugares altos foi uma delas porque fazia todo sentido naquele momento o que eu estava sentindo.

Comecei a rezar o terço e logo o sol ficou mais forte e me fez sentir melhor! Incrível o poder da oração! Como a conexão com Deus te faz mais forte, mais pleno e te ajuda nos momentos onde você se sentir sozinho.

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Parei para tomar um café em San Juan de Ortega, estava caminhando num ritmo bem forte. O tempo ficou mais frio, E começou a chover naquele momento.

Lembrei muito da minha mãe… pensava muito nela e toda saudade que eu tenho… da vontade de ter ela perto da gente, de mim, da felicidade que seria dela brincar com Theo e com a Ísis, como seria ver essa cena.. ela brincando, curtindo, fazendo comida, fazendo dormir… Minha mãe era muito apegada aos filhos e aos netos;  ela iria curtir muito os meus filhos hoje. Sentir muitas saudades, chorei bastante e continue rezando.

Também veio ao meu coração os meus avós todos eles: a avó Lucia, o vô Francisco, o vô João e a avó NadDina e todos meus bisavós também, e também senti uma gratidão muito grande por todos eles!

Estava passando perto de um lugar com muitas pedras, uma subida difícil e veio a mim quanto esforço eles fizeram para que eu estivesse aqui. E também o esforço que a minha mãe e meu pai fizeram. Dona Maria Lúcia o Seu Gerulino trabalharam muito, e fizeram de tudo pra cuidar dos filhos e dar uma oportunidade de uma vida melhor…como eu sou grato a eles! Ao meu pai e a minha mãe, minha gratidão por tudo o que fizeram por mim, e que me trouxe até aqui. Eu os honro e agradeço de todo coração! Esse mesmo sentimento foi para os meus bisavó,s meus avós e todos meus antepassados!

 

Nesse momento eu passava por um lugar muito bonito pelo bosque e tinha alguns bancos e mesas todos vazios porque estava chovendo, e aí eu tive uma imaginação…, imaginei todos meus antepassados meus avós e meus bisavós sentados fazendo uma grande festa e a minha mãe também com aquele sorriso largo brincando com todos, e eles dizendo com olhares que significavam “vá, siga teu caminho, estamos orgulhosos de você”. Minha mãe sorria muito estava muito feliz ao me ver. Esta imaginação que me deu força pra subir mais um caminho difícil de pedras que inclusive está na foto.

Assim que subi no caminho de pedra, havia umas cercas de arame farpado que estava descrito “zona militar proibido a passagem”, era muito estranho o sentimento que eu tinha ao olhar para aquela área, me lembrava um cemitério, onde parecia que havia um monte de pequenas cruzes que na verdade eram flores de pequenos arbustos.

Por esse caminho também vieram sentimentos não tão bons e nesse momento eu deixei umas pedras que simbolizarão que tudo o que não foi bom, ou o que foi ruim no relacionamento com meus antepassados ficava para trás, e dali em diante eu só levaria aquilo que fosse bom, saudável e fizesse sentido na minha vida. Levaria tudo isso no meu coração.

Foi ficando mais frio porque já estava uma altitude de quase 1100 m e chovia uma chuva fina que aumentava ainda mais o frio e sentimento de saudades da minha mãe.

No alto desse monte havia uma cruz bem grande! Ao chegar próximo da Cruz recordei o caminho do Calvário de Jesus, o sentimento que veio foi que Jesus ressuscitou, ele não está na cruz, ele está vivo junto com nós. E a minha mãe está com ele, e se a minha mãe está com ele, ela está junto da gente! Está no meu coração, no meu sorriso, na minha forma de olhar e nos meus filhos também. Então ela está viva Dentro de mim, dentro dos meus filhos e dos meus irmãos, que trazemos todos a força dela e de todos os nossos avós e bisavós que trabalharam muito e que viveram para que nós vivêssemos hoje.,

Dali em diante a chuva continuou, mas senti uma leveza muito maior dentro do meu coração. E eu caminhar foi rápido cheguei ao meu destino mais rápido que eu imaginava. Quando temos a leveza no coração com nossas histórias passadas, conseguimos ser mais leves também! Seria mais planos, e curtir mais a vida e o Caminho.

Dia 10: Caminhar na Solidão

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 Dia 10 : Santo Domingo de La Calzada / VillaFranca Montes de Oca

Acordei era 5h50 e a noite de sono foi muito curta porque não consegui dormir. Se dormir 4 ou 5h foi muito! Quarto lotado e muito, mas muito ronco! Esse é a parte não romântica do caminho que poucos contam…, mas quando você está num grupo grande de pessoas dormindo no mesmo salão a probabilidade de ter muita gente roncando é grande! Mais uma vez a Natany me salvou! Valeu filhota, salvou minha noite! Coloquei novamente os fones de ouvido com músicas de chuva..ou melhor sons de chuva com tempestades para conseguir dormir rsrs! Quando fui escovar os dentes encontrei o americano (aquele que se machucou no início do caminho ) e ele disse “muito ruim essa noite, não consegui dormir, parecia que tinha 3 trens dentro do quarto“ e eu respondi que além dos trens, também tinha mais 2 tratores, 1 caminhão e 1 moto Harley Davidson, que acelerava de vez em quando, em baixo da minha cama!!rs  Demos risada porque não tinha o que fazer.

As 6h30 tomei café e logo depois já pus os pés na estrada! E hoje foi caminhar caminhar caminhar e caminhar. E quando cansava, continuava caminhando…

Passei pela cidade onde havia um albergue que Paulo Coelho havia ficado, inclusive tem uma foto dele nesse albergue.

Foram 35 km de caminhada solitária até chegar a Vila Franca de La Roca onde pretendia dormir.

Há 200 m antes de chegar, encontrei um riacho com águas muito frias, passei e não deu outro: tirei as botas entrei no rio pra relaxar os pés na água gelada. Missão comprida!

Dia 09: O caminho nunca é plano

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 Dia 09 : Najera / Santo Domingo de La Calzada

Acordei muito melhor hoje. As dores nos joelhos já não incomodam, quase não sinto nada. Acho que o banho de água fria ontem no rio Najera foi fundamental para melhorar as dores nos pés e no joelho.. Comecei usar duas joelheiras também, uma que ganhei de um peregrino no caminho, e a outra fui comprar na noite anterior juntamente com uma pomada de diclofenaco, caso voltasse a dores. Aproveitei também para dormir bastante, Já que estava num quarto só pra mim. Acordei as 7h e as 8h00 iniciei minha caminhada.

O caminho estava tranquilo logo na saída de Najera havia uma subida bem forte e depois o terreno começou a ficar um pouco mais plano, mas sempre subindo e descendo. Percebi que não há sempre um terreno plano mesmo que o caminho seja mais fácil sempre tem uma subida e uma descida forte.

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Havia tomado um café bem simples um suco de laranja e um croissant, mas estava me sentindo muito bem mesmo depois de 7 km caminhando que eu nem parei para tomar o reforço do café: passei direto pela cidade de Azofra, e segui meu caminho.

Encontrei com mais um casal de americanos, conversei um pouco com eles e logo me despedi. O ritmo estava muito bom não sentia cansaço e conseguia caminhar num ritmo forte.

Às 11h00 já estava na cidade de Ciruena.  Já havia andado cerca de 17 km. Resolvi não parar e segui caminhando forte. É muito bom caminhar sem sentir dores, os passos fluem, independente das condições do caminho, tudo fica prazeroso.

Depois de mais 4 km, encontrei um peregrino jovem, mas que estava andando com muita dificuldade, quase se arrastando. Parei e perguntei a ele se ele precisava de alguma ajuda, se estava tudo bem, se eu pudesse fazer algo por ele. Ele respondeu que só sentia muitas dores nas pernas porque havia caminhado muito forte nos últimos dias, e como tinha puxado bastante estava com muitas dores na musculatura! E que ele tinha que diminuir o ritmo para conseguir cumprir o caminho. Passei a frente e continuei caminhando mas depois de uns 20 m a frente desse peregrino, me veio uma vontade de voltar e não entendia porque, aí pensei que sempre quando perguntamos se uma pessoa está bem, na maioria das vezes ela responde que sim até por educação, para não incomodar. E não diz o que está precisando. Então fui em direção ao peregrino, abri minha mochila peguei o diclofenaco que eu tinha comprado no dia anterior e ofereci a ele dizendo que isso iria melhorar as dores dele! Ele aceitou e perguntou se de fato poderia ficar com o medicamento! Respondi que sim e que não me faria falta. O nome dele era Pablo, se eu entendi direito, e era de Chipre!

Despedi e segui adiante! Acho que o caminho é isso mesmo um dia você recebe, outro dia você passa para frente aquilo que recebeu, a solidariedade!

Cheguei em Santo Domingo à uma hora da tarde, com disposição pra caminhar mais!

Pensei em seguir adiante, e a próxima cidade seria 7 km distante e a outra 14 km. Liguei nos albergues dessas cidades, mas nenhum atendeu. E como são cidades pequenas resolvi não arriscar seguir adiante sem ter a reserva de um albergue. Porque caso alguma dessas duas cidades não tivesse albergue eu teria que andar cerca de 37km no dia.

Então resolvi ficar em Santo Domingo, no albergue chamado “Casa pela Confraria de um Santo”. Um albergue que existe desde 1106, ou seja, mais de 900 anos de história. Achei muito interessante! Logo na entrada a responsável contou a história do albergue e a história do milagre de Santo Domingo. Desta vez, sem regalias, vida de peregrino: lavar roupas, quarto com 26 camas, e banheiro coletivo…rsrs

Vou jantar cedo,  depois ir missa, e dormir que amanhã vou estar ansioso pra começar mais uma etapa. Um beijo!

Dia 08: Agua gelada nos pes e joelhos

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 Dia 08 : Logronho / Najera

 A noite sono não foi das melhores, um quarto muito grande com 18 pessoas…ou melhor 18 camas e umas 15 pessoas e o quarto havia muito ronco novamente de várias nacionalidades…rs

E como eu também acabei comendo muito tarde acho que estava cansado e não conseguia dormir. Precisaria ter relaxado um pouco mais. Percebo que dentro da rotina, após uma caminhada longa é importante ficar umas 2h00 pelo menos com os pés pra cima pra relaxar. E me recuperar. E ontem como acabei chegando um pouco mais tarde no albergue lotado, até lavar as roupas…, enfim acabou não tendo esse momento de relaxamento e reparação da musculatura. Tomei café às 6:30h e 7h00 já com pé na estrada.

Saindo a saudade já estava apertando e bem emocionado… mas de repente uma pessoa surgiu do meu lado, uma moça irlandesa chamada Tracy , estava um pouco perdida e pediu pra me acompanhar e vamos junto conversando por uns 4 km ela contando um pouco da vida dela, já saiu da faculdade e tem um filho de quatro anos e aí quer ingressar no mercado de trabalho.. a gente sempre troca experiência, e contei um pouco da minha vida pra ela, mas logo adiante, logo saindo de Logronho, eu parei para fazer uns vídeos e fotos e ela seguiu!

Vi um esquilo na árvore e lembrei muito do Theo! Quando vamos na praia, na casa que sempre alugamos, geralmente eu e o Theo vamos de manhã buscar pão! E no caminho passamos por uma parte de mata atlântica e sempre encontramos um tipo de esquilo, mas chamamos de macaquinhos na mata! Chamamos de floresta dos macacos, e a gente fica brincando será que tem Leão?  Nessa floresta! Será que tem gorila?  E quando vi o esquilo não deu outra, fui filmar e tirar fotos pra mostrar ele que aqui também tem florestas e esquilos! Também no caminho encontrei um pé de amora carregado, e lembrei muito dos filhotes: Theo adora subir no pé de amora pra apanha-las, e a pequena Isis adora come-las!

Segui meu caminho e olha quem que eu encontro: meu amigo da Nova Zelândia, o garoto Dayton, de 8 anos, com uma bicicleta! A avó dele resolveu abandonar o carrinho porque ele furou os dois pneus… ai ela comprou uma bicicleta pra ele! Olha que foto bacana!

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Eu estava num ritmo muito bom de caminhada e o trecho não é tão difícil. A próxima cidade chama Navarrete, que fica uns 13 km de Logrono. Mas quando estava chegando em Navarrete meu joelho direito começou a doer muito! Não entendi porque… mas de repente começou a doer, e começou a chover também. Na entrada de Navarrete tinha uma subida muito acentuada e foi bem difícil subir com joelho doendo.

Próximo à igreja parei para comer um bocadilho com suco de laranja. E naquele momento pensei que deveria ficar naquela cidade… Esperei um pouco a dor passar. No bar conheci um brasileiro chamado Gil que era de São Paulo, trocamos algumas palavras, e eu resolvi seguir em frente. A próxima cidade era um povoado chamado Ventana que ficava a 10 km de Navarrete, e passado uns 3 km meu joelho voltou a doer, parei um pouco, e de repente ouvi uma voz perguntando como é que estava meu joelho. Era o brasileiro que havia conhecido, e ele de bate pronto me ofereceu uma joelheira que ele tinha. É o espírito do caminho! A solidariedade! Aceitei a oferta e vesti a joelheira que de fato melhorou bastante a dor. Seguimos caminhando juntos. Ela é uma pessoa bastante interessante, empresário que trabalha há mais de 30 anos com óleos essenciais. Caminhamos juntos até Ventana, conversamos bastante sobre família, negócios, estilos de vida.

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Chegando em ventana tinha que tomar decisão: ou dormia por lá ou caminhava mas 11 km até Najera. Pensei um pouco…, comi uma tortilla, e decidi seguir adiante!

Já passava de meio dia, o sol estava forte, reduzi o ritmo e segui meu caminho. Mas daí surgiram dores no joelho esquerdo, no pé, nas costas, enfim parecia que todo corpo resolveu doer.

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Parei algumas vezes para tomar água, mas mantive um ritmo mais lento e constante. Foi bem difícil, uma superação. Consegui chegar em Najera as 3h00 da tarde, com dores no corpo todo, mas com um sentimento muito bom, de leveza espiritual e de missão cumprida.

Fui direto para o albergue, e não tinha mais disponibilidade camas, apenas 1 único apartamento individual. Era mais caro, mas a esta altura do campeonato era tudo que eu precisava. Uma suíte !!! Só pra mim!! rsrs Me senti um Rei rsrs!!!

Tomei uma ducha, deixei minhas roupas pra lavar e fui jantar. Fui perguntar para a responsável do albergue lugar bom para comer, e comentei das dores que tinha no joelho. Ela disse “o melhor anti inflamatório está a nossa frente, que é o rio com uma água muito gelada“. Não tive dúvida: segui o conselho dela, fui direto ao rio de Najera que passa em frente do albergue, e coloquei meus pés até o joelho na água do rio, água muito gelada que descia das montanhas e era muito transparente. Fiquei uns 15 minutos com os pés até o joelho nessa água gelada, chegava até a dar choque quando colocava o pé da pedra. Depois disso sai com a sensação de leveza nos pés, pois de fato o melhor anti inflamatório após um esforço físico e água bem gelada e gelo. E aqui no caminho água gelada e natural, vindo direto da natureza.

Jantei muito bem o menu do Peregrino voltei para o Albergue e tenho certeza que essa noite de sono será muito boa! Um beijo

Dia 07: Saudade apertando…

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Dia 07 : Los Arcos / Logronho

O dia começou com muito frio. Amanheceu estava 9°. Deixei Los Arcos com um sentimento muito bom, uma cidade pequena, o povo bem acolhedor e o albergue de muita receptividade! As pessoas realmente com espírito de acolhimento!

Comecei andando num ritmo bem forte, pois estava me sentindo muito bem. O tempo mais frio favorece uma caminhada mais forte.

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Mas se por um lado é fisicamente estava tudo OK, por outro a saudade começou a apertar a saudade da família…vi um casal de patinhos com vários filhotinhos e lembrei muito do Theo e nossas conversas.

No meio do caminho encontrei um casal que me chamou atenção! Parei pra conversar com eles tirei uma foto, eles eram americanos Jeff e Cathy e estavam celebrando 45 anos de casamento e também aposentadoria deles. Lembrei muito da Tânia pois sempre falamos que ainda vamos comemorar nossas bodas de 50 anos, se Deus quiser!

 

Passei adiante e mantive o ritmo forte porque eu precisava chegar até Viana até ao meio dia. Como eu disse na primeira na primeira etapa, a mochila que eu iniciei o caminho estava me incomodando bastante usei ela no primeiras três dias conversei com algumas pessoas fui numa loja para entender se as dores que estava sentindo, eram dores do caminho ou se a mochila estava inadequada para mim… De fato, percebi que a mochila não estava se ajustando corretamente nas minhas costas. Por isso eu comprei uma mochila nova que vestiu melhor! Eu agradeço ao Fernando Campos, meu amigo que me emprestou essa mochila. Na verdade ela tem uma história por que foi com ela que ele fez o caminho dele…. Mas aí eu percebi que mochila é parecida com escova de dente, é melhor que cada um tem a sua! rs

Nesse caminho também veio uma canção do Gilberto Gil que fez todo sentido pra mim… ” aquele abraço…Meu caminho pelo mundo… eu mesmo traço… o que a Vida já me deu.. réqua e compasso… quem sabe de mim sou… eu aquele abraço…pra você que me esqueceu…aquele abraço”(https://www.youtube.com/watch?v=zFGMLQ3q15c). A letra dessa canção tem tudo haver comigo nesse momento!

Cheguei em Viana em ao meio dia depois 22 quilômetros de caminhada. Fui ao correio despachei a mochila do meu amigo para o Brasil, e segui o meu caminho. Agora com a mochila nova.

Ficou mais quente e sempre os últimos quilômetros são os mais difíceis. Mas cheguei em Logrono as 15h cumprindo aí mais uma etapa do caminho, depois de 29 km. Um beijo