Dia 22: A grande familia

O CAMINHO DE SANTIAGO DE COMPOSTELA

 Dia 22 : San Martin Del Camino / Astorga

 Às 6h00 eu já estava no caminho. Amanheceu um pouco frio, mas logo depois que o sol nasceu já esquentou.

Fiz um teste e foi o primeiro dia que comecei a caminhar com as sandálias. As sandálias são mais confortáveis para os pés, mas não sabia como seria caminhar mais de 25 km e com as duas bolhas na planta do pé. Além disso havia chovido bastante na noite anterior e havia um possas da água no caminho, e se molhar os pés com as sandálias logo teria que parar e calçar novamente as botas. O problema da bolha na planta do pé e que não há como andar sem tocar nela. A Bolha do pé esquerdo já estava boa, mas a do pé direito ainda incomodava bastante. Procurei andar bem devagar. Piano piano, como dizem os italianos…

Depois de 6 km tinha a primeira parada numa cidadezinha chamada Hospital de Orbigo. Parei para tomar um café, e logo em seguida entrou uma amiga peregrina que eu tinha iniciado caminho comigo, feito a primeira etapa de Saint Jean a Roncesvalle. Ela se chamava Adrianka, é da Croácia. Conversamos um pouco e ela perguntou como estava meus pés e logo já me deu dois curativos, na verdade ela tinha um arsenal anti bolhas, com todos os instrumentos necessários, medicamentos e todos os tipos de fita, band-aid etc. Coloquei o curativo nos pés e me sentir melhor, e voltei a caminhar.

O trecho até Astorga era muito plano, e próxima a rodovia. Antes de chegar Astorga, havia uma subida muito forte e na sequência uma cruz que ficava no Alto da montanha e de lá se via Astorga e um vale muito bonito.

Segui o caminho e cheguei em Astorga a 1h da tarde.
O sol estava muito quente, e percebi que andar com sandálias é mais difícil e também um pouco mais lento. Pelo menos para mim!

Fiquei no albergue servas de Maria, albergue municipal cuidado por hospitaleiros, que trabalhavam gratuitamente. O valor de cinco euros para dormir. Segui a rotina do dia, que chamo de lere lere! Rs

O albergue tem uma estrutura muito boa. Sairia para conhecer um pouco Astorga, mas o sol muito quente e preferi ficar tomando uma cerveja.

No final da tarde caiu uma chuva muito forte e assim não pude conhecer totalmente a cidade. A verdade é que a gente chega tão cansado, que apesar dos atrativos a gente não tem vontade alguma de caminhar.

A questão das bolhas ainda me incomodava, então foi numa farmácia e conversei com uma farmacêutica e ela disse que da forma como minha bolha estava eu já poderia usar o compeed! É um curativo bem interessante a base de silicone mas só pode ser colocado quando começa ficar vermelho, ou quando a bolha já estiver sem água. Como estava drenando todos os dias da minha bolha ela achou que eu já poderia colocar o compeed para caminhar.
No Albergue encontrei um brasileiro que havia conhecido no caminho que me chamou para jantar com todos os peregrinos. Fomos à cozinha e era uma festa! Todos os tipos de idiomas tornavam o ambiente muito familiar. A mesa era grande, sentei já fiz amizade com os peregrinos. Uma menina da Romênia havia feito uma espécie de Galinhada, era meio que um risoto e uma Galinhada, mas muito saborosa! Estavam juntos uma menina americana e um russo, além de mim e o outro brasileiro!

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Foi uma grande festa, como é legal todas as culturas sentadas a mesa, e mesmo as pessoas que não falavam o inglês ou espanhol se conseguiam se comunicar. Todos que já haviam comido ofereciam para compartilhar os pratos, Um ambiente sensacional. Demos muitas risadas. Fui dormir com sentimento de uma grande família. Uma grande comunidade.

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