O CAMINHO DE SANTIAGO DE COMPOSTELA
Dia 08 : Logronho / Najera
A noite sono não foi das melhores, um quarto muito grande com 18 pessoas…ou melhor 18 camas e umas 15 pessoas e o quarto havia muito ronco novamente de várias nacionalidades…rs
E como eu também acabei comendo muito tarde acho que estava cansado e não conseguia dormir. Precisaria ter relaxado um pouco mais. Percebo que dentro da rotina, após uma caminhada longa é importante ficar umas 2h00 pelo menos com os pés pra cima pra relaxar. E me recuperar. E ontem como acabei chegando um pouco mais tarde no albergue lotado, até lavar as roupas…, enfim acabou não tendo esse momento de relaxamento e reparação da musculatura. Tomei café às 6:30h e 7h00 já com pé na estrada.
Saindo a saudade já estava apertando e bem emocionado… mas de repente uma pessoa surgiu do meu lado, uma moça irlandesa chamada Tracy , estava um pouco perdida e pediu pra me acompanhar e vamos junto conversando por uns 4 km ela contando um pouco da vida dela, já saiu da faculdade e tem um filho de quatro anos e aí quer ingressar no mercado de trabalho.. a gente sempre troca experiência, e contei um pouco da minha vida pra ela, mas logo adiante, logo saindo de Logronho, eu parei para fazer uns vídeos e fotos e ela seguiu!
Vi um esquilo na árvore e lembrei muito do Theo! Quando vamos na praia, na casa que sempre alugamos, geralmente eu e o Theo vamos de manhã buscar pão! E no caminho passamos por uma parte de mata atlântica e sempre encontramos um tipo de esquilo, mas chamamos de macaquinhos na mata! Chamamos de floresta dos macacos, e a gente fica brincando será que tem Leão? Nessa floresta! Será que tem gorila? E quando vi o esquilo não deu outra, fui filmar e tirar fotos pra mostrar ele que aqui também tem florestas e esquilos! Também no caminho encontrei um pé de amora carregado, e lembrei muito dos filhotes: Theo adora subir no pé de amora pra apanha-las, e a pequena Isis adora come-las!
Segui meu caminho e olha quem que eu encontro: meu amigo da Nova Zelândia, o garoto Dayton, de 8 anos, com uma bicicleta! A avó dele resolveu abandonar o carrinho porque ele furou os dois pneus… ai ela comprou uma bicicleta pra ele! Olha que foto bacana!

Eu estava num ritmo muito bom de caminhada e o trecho não é tão difícil. A próxima cidade chama Navarrete, que fica uns 13 km de Logrono. Mas quando estava chegando em Navarrete meu joelho direito começou a doer muito! Não entendi porque… mas de repente começou a doer, e começou a chover também. Na entrada de Navarrete tinha uma subida muito acentuada e foi bem difícil subir com joelho doendo.
Próximo à igreja parei para comer um bocadilho com suco de laranja. E naquele momento pensei que deveria ficar naquela cidade… Esperei um pouco a dor passar. No bar conheci um brasileiro chamado Gil que era de São Paulo, trocamos algumas palavras, e eu resolvi seguir em frente. A próxima cidade era um povoado chamado Ventana que ficava a 10 km de Navarrete, e passado uns 3 km meu joelho voltou a doer, parei um pouco, e de repente ouvi uma voz perguntando como é que estava meu joelho. Era o brasileiro que havia conhecido, e ele de bate pronto me ofereceu uma joelheira que ele tinha. É o espírito do caminho! A solidariedade! Aceitei a oferta e vesti a joelheira que de fato melhorou bastante a dor. Seguimos caminhando juntos. Ela é uma pessoa bastante interessante, empresário que trabalha há mais de 30 anos com óleos essenciais. Caminhamos juntos até Ventana, conversamos bastante sobre família, negócios, estilos de vida.

Chegando em ventana tinha que tomar decisão: ou dormia por lá ou caminhava mas 11 km até Najera. Pensei um pouco…, comi uma tortilla, e decidi seguir adiante!
Já passava de meio dia, o sol estava forte, reduzi o ritmo e segui meu caminho. Mas daí surgiram dores no joelho esquerdo, no pé, nas costas, enfim parecia que todo corpo resolveu doer.

Parei algumas vezes para tomar água, mas mantive um ritmo mais lento e constante. Foi bem difícil, uma superação. Consegui chegar em Najera as 3h00 da tarde, com dores no corpo todo, mas com um sentimento muito bom, de leveza espiritual e de missão cumprida.
Fui direto para o albergue, e não tinha mais disponibilidade camas, apenas 1 único apartamento individual. Era mais caro, mas a esta altura do campeonato era tudo que eu precisava. Uma suíte !!! Só pra mim!! rsrs Me senti um Rei rsrs!!!
Tomei uma ducha, deixei minhas roupas pra lavar e fui jantar. Fui perguntar para a responsável do albergue lugar bom para comer, e comentei das dores que tinha no joelho. Ela disse “o melhor anti inflamatório está a nossa frente, que é o rio com uma água muito gelada“. Não tive dúvida: segui o conselho dela, fui direto ao rio de Najera que passa em frente do albergue, e coloquei meus pés até o joelho na água do rio, água muito gelada que descia das montanhas e era muito transparente. Fiquei uns 15 minutos com os pés até o joelho nessa água gelada, chegava até a dar choque quando colocava o pé da pedra. Depois disso sai com a sensação de leveza nos pés, pois de fato o melhor anti inflamatório após um esforço físico e água bem gelada e gelo. E aqui no caminho água gelada e natural, vindo direto da natureza.
Jantei muito bem o menu do Peregrino voltei para o Albergue e tenho certeza que essa noite de sono será muito boa! Um beijo






















